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Até aqui

A Galeria Reverso apresenta a exposição coletiva de joalharia contemporânea portuguesa Até Aqui, patente até ao dia 18 de outubro.

Até Aqui propõe uma reflexão sobre a joalharia contemporânea em Portugal no momento presente. Depois de celebrar o seu vigésimo aniversário com um conjunto de exposições e palestras (projeto anual de 2018 no qual colaborei) a Reverso confronta as sombras da joalharia artística e das exigências e limitações que a lei impõe à sua produção e comercialização. Por essa razão, não se encontrará ouro ou prata nesta exposição, nem – talvez – no futuro da joalharia contemporânea como prática artística. É o presente possível que se mostra, um ponto de viragem numa história que continuará, ainda que em novos moldes.

Com curadoria partilhada entre Paula Crespo – a responsável pela galeria – e Carolina Quintela – uma jovem joalheira que tem vindo a desenvolver trabalho como curadora – a exposição reúne obras de 15 artistas portugueses (e uma artista colombiana residente em Portugal) com diferentes percursos e de diversas idades (também me incluo nesta exposição com dois colares-poemas).

Embora nem todas as peças tenham sido produzidas especialmente para esta exposição e apesar do elevado número de participantes, o que ressalta num primeiro olhar é a harmonia visual do conjunto, a que não é alheia a cuidadosa montagem a que Paula Crespo já nos habituou.

Num segundo momento percebemos algum desequilíbrio na qualidade das peças apresentadas, o que não deixa de ser desafiador, pois encontramos obras com valor museológico e que fazem já parte da história da joalharia contemporânea portuguesa – como os colares circulares de Paula Crespo e o colar Sopa de Legumes de Filomeno Pereira de Sousa – com peças que, sendo interessantes, não são especialmente significativas no conjunto da obra dos autores. A inclusão tanto de artistas consagrados, como de jovens recém-formados é também de salientar, destacando-se, neste grupo, as delicadas peças-desenho de Alejandra Ferrer.

O intenso colar vermelho de Manuel Vilhena apresentado na montra, a casa-joia de Pedro Sequeira, as joias em negro de Patrícia Domingues e de Carlos Silva e as mãos orantes de Leonor Hipólito são algumas outras obras que destaco, uma escolha naturalmente subjetiva, ficando o convite para as ir ver ao vivo e talvez experimentá-las.

 

Por Marta Costa Reis

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