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Imagem de capa: Bliss.

é preciso perder tempo a procurar oportunidades”

Há um mundo onde se vive enclausurado e se comunica por telepatia. Quando a cientista que criou este mundo ilídico percebe que os habitantes não estão felizes e que as suas mentes estão a tornar-se inférteis, envia um casal de adolescentes para o Jardim do Éden, no passado.

Assim se resume Bliss, um dos trabalhos que fez de Sofia Caetano um dos cinco finalistas ao Prémio Sonae Media Art.

O filme estreou nos EUA a 24 de março deste ano, na 55º edição do Ann Arbor Film Festival, e está em exposição até 16 de Abril no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, em São Miguel, como projeto vencedor da Bolsa de Criação Artística em Arte e Multimédia de 2016.

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Sofia Caetano. Fotografia de Sara Pinheiro

Mais do que um filme, Bliss é a primeira experiência da artista que conjuga cinema com instalação, para que o espetador tenha uma experiência física “que desconstrói a experiência que fazemos do cinema convencional”. Como explica à Umbigo, “quando vais ao Bliss tens de te mover pelas salas para veres as diferentes partes do filme”, numa experiência que deve ser individual. “Não me interessa passar mensagem nenhuma concreta, mas antes convidar à reflexão única, individual e subjetiva que cada um faz sobre a sua experiência".

O cenário escolhido foi os Açores e as razões são óbvias: Sofia Caetano é micaelense e nunca tinha gravado no arquipélago. Além disso, os Açores são o Paraíso na terra, o cenário ideal para recriar o Jardim do Éden. “Cinematograficamente isso traduz-se em imagens incríveis", garante.

Além de Bliss, a artista concorreu com 2.866.642 Ways to Create Space, um filme produzido em 2014 e que já passou “um pouco por todo o mundo”, como a própria refere.

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Garden of Eden

Não contava ganhar, mas sabia que tinha uma candidatura forte. Esta confiança é, aliás, a postura de Sofia enquanto artista, que defende que “é preciso perder tempo a procurar oportunidades, ter persistência e uma grande paixão pelo que fazemos”, já que “as oportunidades existem, mas temos de saber criá-las”.

Assim o é em Portugal, como nos EUA, onde ouve constantemente que “na Europa é que estão as oportunidades.”

Foi para Boston fazer o mestrado em Media Art após estudar fotografia no IFP e realização na Restart. Foi aí que começou a fazer filmes e percebeu que tinha encontrado o meio de expressão certo para explorar as suas ideias. Ainda em Boston, onde vive, divide o seu tempo entre as aulas de cinema que leciona e o seu mais recente projeto, a The Spectacular House, uma produtora onde tem feito alguns videoclips. “Este mês estreámos 100 days of May – um projecto de som experimental, de artistas portugueses” –, no festival de música Tremor, em São Miguel.

Além deste, Caetano tem entre mãos a sua primeira longa-metragem. Intitulada The Happiest Man, conta a história de um homem das cavernas do futuro, que vai salvar a humanidade da escravidão dos media.

Para já, os cinco finalistas Prémio Sonae Media Art apresentaram no final de março a sua proposta de tema da obra que será avaliada pelos júris para decidir o grande vencedor. As cinco obras estarão em exposição no MNAC (Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado), em Lisboa, no final de novembro.

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