JOALHARIA

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Fotografia de capa: Cristina Filipe por Almuth Heidegger.

Foi atribuída a Cristina Filipe a bolsa Susan Beech Mid-Carreer Artist Grant, promovida pelo Art Jewelry Forum – organização sem fins lucrativos dedicada à joalharia contemporânea. Foi selecionada entre 98 candidatos de 25 países. Cristina Filipe é doutoranda na UCP – Universidade Católica do Porto – e é investigadora do CITAR – Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes. A bolsa destina-se à publicação de um livro sobre a história da joalharia contemporânea em Portugal, objeto da sua tese. Tem o valor de 20.000 dólares e será atribuída ao longo de dois anos, durante os quais o projeto será realizado.

O júri foi composto por distintos profissionais: a colecionadora Susan Beech (USA); a artista e professora académica Iris Eichenberg (DE/USA); Sara e Bill Morgan e Cindi Strauss, curadores de Artes Decorativas de Craft and Design no Museum of Fine Arts, em Houston. O objetivo desta bolsa Internacional  é reconhecer um artista entre os 35 e os 55 anos que tenha vindo a dar um contributo substancial para o campo da joalharia contemporânea, de modo a facilitar o apoio necessário para a realização de um projeto.

A atribuição desta bolsa para a publicação de um livro leva a felicitar Cristina Filipe. Contudo, deverá ter sido atribuída porque a proposta versava um projeto alargado e não um individual, como outros que poderão ter estado em apreço pelo júri.

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Cristina Filipe. Retrato de Eduardo Sousa Ribeiro

Cristina Filipe é investigadora, estando prestes a terminar um doutoramento sobre a joalharia contemporânea em Portugal. É artista, curadora, professora e tem sido arguente de vários júris de mestrado. Estudou em Portugal, Holanda e Inglaterra, tendo ensinado e exposto internacionalmente. É membro fundador da PIN, Associação de Joalharia Contemporânea Portuguesa, assumindo o lugar de presidente.

Durante o período de dois anos em que a bolsa vai prevalecer, Cristina Filipe tenciona preparar a publicação de um livro em Português e Inglês que preencherá uma lacuna na história joalharia contemporânea nos panoramas nacional e internacional. Tenciona, também, organizar uma exposição com algumas das peças mais marcantes que documentem a sua investigação e o livro. A exposição deverá coincidir com o lançamento do livro e, preferencialmente, inaugurar primeiro em Portugal para, posteriormente, iniciar uma itinerância internacional.

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Exposição Joias de Kukas, 1968. Galeria 111, cortesia Galeria 111, Lisboa

A história da joalharia contemporânea Portuguesa começa com Kukas e Gordilho nos anos 1960. A partir de então, dada a partida temporária de joalheiros portugueses para outros países – como, por exemplo, Tereza Seabra, para os Estados Unidos ou Marília Maria Mira, para Barcelona – e a abertura de escolas e de cursos, como o do Ar.Co, do Contacto Directo, da ESAD e outros ainda, a joalharia inicia uma fase de expansão e de diversidade. Lembra que os portugueses sempre gostaram de partir, de receber e de intercambiar. Foram feitas algumas exposições coletivas que mostraram estes factos.

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Tereza Seabra. Fotografias de Bernard Vidal. Cortesia Tereza Seabra

Contudo, a joalharia contemporânea criada em Portugal não ultrapassa facilmente fronteiras, talvez por falta de meios de divulgação apropriados. Apesar de vivermos num país limítrofe geograficamente, o mundo de hoje não tem fronteiras reais. As ideias e as coisas fluem pela internet, assim como a joalharia contemporânea internacional é mostrada em muitos países. Tal não acontece facilmente com a joalharia portuguesa. No entanto, Cristina Filipe tem vindo a contribuir largamente para que se concretize este facto, trazendo a Portugal joalheiros para workshops, conferências e exposições, assim como curadores e galeristas e, ainda, sendo curadora de eventos que representam Portugal no estrangeiro.

Continuando este empenho, através do livro que será publicado e profusamente ilustrado, prevê-se o colmatar de esta lacuna. Dará a ver que a joalharia contemporânea portuguesa é variada, tem qualidade estética e é rica em metáforas que a transportam para uma superfície de escrita afiliada no campo da arte.

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