MODA E BELEZA

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Fotografias: Inês Machado.

Arrojo precisa-se!

David Ferreira, Ricardo Andrez, Lidija Kolovrat, Filipe Faísca e Valentim Quaresma destacaram-se na edição Boundless, a 48ª ModaLisboa. Estes designers conseguiram criar momentos de interesse criativo, sem esquecer a consciencialização de que para se estar na moda é preciso dominar o ‘saber fazer’ e não se ficar apenas pelo ‘achar que se sabe fazer’!!!!!!

Seis anos e doze coleções depois, a ModaLisboa mudou de casa, deixou o Pátio da Galé, ocupando temporariamente o Centro Cultural de Belém (CCB), para em outubro passar a ocupar o, recentemente restaurado, Pavilhão Carlos Lopes, no topo do Parque Eduardo VII. “Ao fim de seis anos, era o momento de mudar. Precisávamos de sair da nossa zona de conforto”, conta Eduarda Abbondanza. A energia da 48ª edição da Moda Lisboa mudou motivada pelo facto de ter existido uma  dinâmica geográfica distinta da das últimas edições,  razão mais do que suficiente para que esta plataforma de moda continue a ser o momento de excelência do design da moda nacional.

17 desfiles diluídos por três dias, a estreia de duas marcas: Eureka e Mustra, sem esquecer o desfile conjunto de oito designers, o Sangue Novo, que teve como vencedor, nesta edição, João Oliveira. A ModaLisboa tem no seu percurso fatores fundamentais para a criação de um legado da moda portuguesa, apostando na novidade, no talento alternativo, na experimentação, no design, e, obviamente, na moda.

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Criada por e para designers, a ModaLisboa é o lugar certo para se mostrar a diferença, no entanto, o tempo moldou conceitos e em alguns dos casos não trouxe sabedoria. Mas, sim existe um mas, esta semana de moda merece contínuo respeito e o apoio de todos nós nas mudanças presentes e futuras que tem e terá de realizar. Muito se fala das ausências recentes, nomes que se construíram neste espaço e que agora desejam outros percursos, o momento exige que novas ideias surjam e que novos caminhos se façam.

A 48ª edição fez-se de quatro bons momentos: David Ferreira, Ricardo Andrez, Lidija Kolovrat, Filipe Faísca e Valentim Quaresma. Destes cinco desfiles, David Ferreira foi o que surpreendeu pelo inusitado, independentemente, se as ideias eram inovadoras ou não. Este jovem, explora a sua imaginação dando-lhe forma através de matérias primas de qualidade, em associação com outras menos interessantes, no conjunto, o resultado é promissor e, acima de tudo, uma pequena lufada de ar fresco.

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Venus as a boy de Ricardo Andrez é uma coleção inspirada no estilo desportivo e streetwear, numa procura de quebra de tabus cujo resultado acaba por ter algum impacto em determinadas sugestões.

A coleção de Kolovrat aborda a tradição peruana, país onde a designer passou uma temporada para absorver a cultura local, trazendo sugestões que resultam pela paleta de cores, bordados e estampagens, em peças que criam uma procura diferencial entre o que a moda ‘fast fashion’ tem para recorrentemente oferecer.

Assistir a um desfile de Filipe Faísca tem como ponto de partida, presumivelmente, a valorização da silhueta feminina, o que não significa que nesta ideia de beleza convencional o designer não tenha uma forma subtil de a querer contrariar usando tecidos e volumetria que podem visar contrariar esse estereótipo/conceito.

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A coleção de Valentim Quaresma, History, é isso mesmo, uma passagem pela história estética do último século, conciliando a joalharia e a roupa num diálogo evolutivo, tendo na linha de roupa o momento menos diferenciado face ao seu trabalho como designer de joias de autor.

A velocidade da máquina da criatividade está a prejudicar o talento. Alguns dos nossos mais interessantes designers de moda deveriam considerar a necessidade de coleções anuais em detrimento das sazonais. O resultado final seria, francamente, mais apelativo, favorecendo o arrojo que tanta falta está a fazer à moda nacional!

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