ARTE

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Fotografias: António Néu.

Fotografia de capa: Galeria Forsblom.

Dias antes da 36º edição da Arco Madrid e no âmbito da Capital Ibero-Americana da Cultura, inaugurou em Lisboa, nas carpintarias de São Lázaro, a instalação Show Room dos artistas cubanos Los Carpinteros (Marco Castillo e Dagoberto Rodríguez). Na chegada à Arco estabelecem-se conexões com uma das primeiras peças que vemos, Domo Hexagonal, pertencente aos mesmos artistas, frente à cintilante presença da Esfera Branca de Julio Le Parc, importante artista da arte cinética e um dos símbolos do país convidado: Argentina. Dadas as suas grandes dimensões, ambas fazem parte da secção Projetos Especiais, reintroduzindo na feira um género de obras apenas passíveis de serem comparadas por museus ou instituições. Ao lado do artista argentino a obra Cuidado con la Cabeza, do espanhol Bernardí Roig, e pela feira a surpresa do encontro com obras dos vários gigantes da arte como Olafur Eliasson, Juan Muñoz, Louise Bourgeois, Alexander Calder e o regresso da londrina Lisson Gallery com os artistas Ai Wei Wei e Anish Kapoor.

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Entre as 200 galerias, uma forte presença portuguesa marcada por 13 stands, levando à Arco projetos que as colocam em pé de igualdade com as galerias internacionais, às quais daremos destaque na Arco Lisboa que acontece na Cordoaria Nacional em maio.

Na galeria Dan de São Paulo, damos uma aula de história de arte através dos movimentos concreto e neoconcreto brasileiros (década de 1950), passando por vários nomes internacionais ligados à arte geométrica abstrata como Knopp Ferro ou Juan Asensio. Do stand saía uma pessoa que nos dizia: "eles são bons, vendem imenso para o museu Reina Sofia". Com esta deixa ficámos a falar com Flavio Cohn que confirmou a colaboração de há vários anos com a formação do acervo do museu Reina Sofia, com obras de importantes artistas brasileiros. Continuou contando parte da vida desta histórica galeria com 45 anos e da qual consta uma obra de Lygia Clark no valor de 260.000 euros. Há 16 anos que participam na Arco levando à feira os vários artistas dos movimentos acima mencionados, bem como artistas contemporâneos que lhes dão seguimento como é o caso do brasileiro Macaparana.

Projeto Curatorial Argentina Plataforma /Arco

A par com os “pesos pesados” estão uma série de artistas mais jovens que integram as três secções curatoriais presentes na feira: Opening, Dialogues — às quais dedicamos dois artigos — e Argentina Plataforma/Arco. A curadoria desta secção esteve a cargo de Inés Katzenstein (diretora e fundadora do Departamento de Arte da Universidad Torcuato di Tella, Buenos Aires) que num trabalho apaixonado pesquisou e selecionou 12 galerias de Buenos Aires, das quais fazem parte artistas dos anos 60 até aos dias de hoje. A curadora pretendeu criar um sentido de totalidade na seleção e “foram muitos os critérios a funcionar em simultâneo. Interessou-me principalmente mostrar a pujança da arte argentina e não quis mostrar os artistas que todos já conhecem mas sim dar oportunidade aos jovens. Trabalhei por amor e escolhi artistas que admiro e com quem já havia trabalhado em diversos momentos”.

Aquando da seleção Inés apercebeu-se de uma insistência na pintura e na importância da escrita como uma ferramenta conceptual. Sendo a literatura, a par com o teatro e a dança, uma das formas artísticas mais reconhecidas na Argentina, assistimos na feira a uma tendência de artistas que conceptualizam o seu trabalho através do uso da palavra, como é o caso de Fabio Kacero, representado pela galeria Ruth Bencazar. Para o artista, que começou a trabalhar nos anos 90, as metodologias em série e repetitivas do conceptualismo funcionam inclusive para a sua etapa mais recente de escritor de ficção. Na galeria Isla Flotante encontramos os trabalhos De la série La letra de B (2008) da artista Leticia Obeid, ambos pautados por uma visualidade poética. Na Arco apresentou também um vídeo no qual desenha raspa e rasga os desenhos que copiam os manuscritos do filósofo e sociólogo alemão Walter Benjamin. Na galeria Del Infinito, fazendo parte da velha guarda Argentina, esteve representado o trabalho de Alberto Greco (1931-1965), um dos iniciadores do movimento conceptual argentino que ficou conhecido com o que denominava de “pintura grito”, na qual intervinha em madeira velha e chapas com urina, café ou vinho. A obra, apresentada pela primeira vez em Espanha, é considerada uma das primeiras novelas pop, uma experiência artístico-literária.

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Inés Katzenstein ressalvou ainda a questão da representação do género nos artistas presentes. “Aquando da escolha apercebi-me que muitos deles estão interessados em representar a sua sexualidade no corpo de trabalho”. Entretanto a conversa foi interrompida para apresentar Katzenstein a uma das curadoras da Tabacalera, um dos muitos espaços que exibem arte argentina pela cidade de Madrid. Por pura coincidência Juan Tessi, artista presente na galeria Nora Fisch, está também em exposição numa mostra coletiva no Museu Thyssen-Bornemisza. O artista vê a cerâmica como uma forma de pintura que a completa de uma forma quase orgânica. A obra torna-se num corpo de linhas ténues à qual se junta uma cabeça de cerâmica.

A Argentina Plataforma/Arco estende-se a toda a cidade num total de 17 espaços que acolhem o trabalho dos mais diversos artistas, entre eles Jorge Macchi, Leandro Erlich ou Nicolás Robbio (também presentes na feira). Com a curadoria de Sonia Beece e Mariano Mayer e com o mote En el Ejercicio de las Cosas existem oito exposições espalhadas por toda a cidade, entre elas Es Ella una Encantadora Cosa no Museu Cerralbo, La Bella Sintaxis no Conde Duque e Saber sin Mí na Tabacalera, onde se pode ver o trabalho de diversos artistas até ao dia 16 de abril.

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Madrid afirma-se com uma importância cada vez maior a nível artístico e no que concerne às exposições paralelas à Arco o difícil é escolher. Do mais institucional ao mais alternativo, artistas e curadores relacionam-se na produção de exposições que tornam a cidade incontornável. Para tornar todo este périplo viável, recomendamos calçado confortável e horas bem dormidas — uma app no telemóvel disse-nos termos percorrido mais de 9km por dia.

A Umbigo viajou a convite do Turismo de Espanha

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