MÚSICA

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Fotografias: Magda Gouveia.

Após um curto período de negação em relação à hora do concerto (por alguma razão achava que fazia sentido ouvir Moderat a uma hora mais tardia e não à hora em que ainda se supostamente janta calmamente) lá apresso o passo e consigo convencer o meu irmão que é realmente às 21h30 que poderá começar. Vamos ao encontro da Cristina para apanhar um táxi e rumamos à LX Factory ouvir o que o trio berlinense tinha preparado ao longo de 3 álbuns (Moderat de 2009, II de 2013 e III de abril deste ano) e muitos espetáculos ao vivo (este ano, aliás já tinham estado no Primavera Sound do Porto).

O Zé tinha ido de bicicleta e já lá estava, por isso mal nos encontrámos decidimos ir comer algo rápido, porque a julgar pela azáfama de pessoal penteado à Sascha Ring (também conhecido por Apparat) adivinhava-se um pequeno grande caos para entrar dentro da fábrica.

O tempo já estava em modo tic tac e escolher um sítio para comer algo rapidamente passou de 'conheço ali um fixe' para 'bora ali fora porque deve haver menos gente' e no meio do trânsito e mais penteados à Sasha Ring confortámos o estômago na tasca mais pequena e caótica do mundo com hambúrgueres e cerveja (não, não eram artesanais) e não sendo tarefa fácil, lá conseguimos encaminhar-nos para o concerto mais bem dispostos (e claro  está, com o belo cheirinho a fritos).

Uma mensagem em fonte clássica serifada a branco sobre fundo preto dá-nos as boas vindas e pede-nos muito educadamente que não nos macemos a gravar o concerto pois irão lançar brevemente um álbum Live que compila os melhores momentos desta digressão. O espaço está cheio e algo ansioso com a espera demorada, mas mal as luzes se apagam e a escuridão enche a sala os aplausos e os assobios dão lugar à eletrónica fragmentada de camadas misteriosas.

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Sascha Ring, Sebastian Szary e Gernot Bronsert (estes dois do projecto Modeselektor) e respetiva parafernália eletrónica ocupam o palco de forma convincente e enérgica, contrastando com um cenário de fábrica inacabado ou pós-guerra, tudo num ambiente taciturno de corpos dançantes e calor mole.

Reconheço Ghostmother pela sua batida desconcertante, New Error de encadeamento instrumental tipo linha de montagem (do álbum de 2009) e Bad Kingdom com aquele gritinho característico e refrão a puxar a um pseudo-karaoke.

Seguem-se mais algumas do último álbum que ao vivo são uma experiência de texturas delicadas com batidas ásperas e visuais dinâmicos de luz intensa. As imagens de alta definição que enquadram os músicos sugerem uma espécie de ginástica sincronizada numa coreografia visual capaz de amplificar o felling das canções.

O visual dos espetáculos dos Moderat deve-se, em parte, à colaboração com a agência de design alemã Pfadfinderei, embora todos os músicos participem ativamente no processo criativo.

As músicas crescem e a geometria do techno alemão, misturado com sons graves e melodias hipnóticas seguem uma estrutura de canção pop que carateriza a eletrónica de toque humano deste trio de Berlim.

Bom... talvez tenham sido bolas de berlim noutra praia, mas na fábrica do LX foram pérolas.

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