MÚSICA

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Imagens: Black Balloon.

Ficámos suspensos uns largos meses, como em noite de lua nova, sem referência. Vemos colar-se ao Balão Preto, que persiste pendurado, as imagens da vulcânica Shannon F., vocalista dos Light Asylum, a candura de Sarah Assbring dos El Perro del Mar ou a holográfica Chrysta Bell, poderíamos continuar no universo feminino e desta forma homenagear BB (Black Ballon), mas com a mesma facilidade reavemos as noites em que Walter Benjamin e os amigos recriam o The Queen Is Dead (The Smiths), B Fachada, Minta & João Correia interpretam Os Sobreviventes de Sérgio Godinho e as noites do andar de cima a ver crescer a varanda sobre o Tejo, com os inúmeros DJ's e ao som deles as portas do Lux fecharem-se. Aproveitando a visita dos Junior Boys para a sessão de Black Balloon XXVII decidimos falar com o Pedro Ramos.

Junior Boys, depois de um interregno foi a necessidade de afirmar que Black Balloon estão bem cheios de ar e prontos para voos ainda mais altos?

A pausa de oito meses aconteceu porque na última de 2015 o Moullinex fez um concerto tão épico com a banda-sonora do Star Wars que senti durante uns tempos que seria difícil fazer uma noite mais Studio 54 em ácidos do que aquilo… depois houve a matiné do Bowie, do Sequeira, do Dança Com Ela e senti-as muito como minhas também, por isso fui adiando o regresso dos balões até ter um motivo qualquer cósmico, que acabou por ser o 60º aniversário do Zé Pedro (hahahah). Os Junior Boys são uma das minhas bandas preferidas, andava atrás deles desde o início da festa em 2012 e esteve quase para acontecer em 2014. Parece um regresso pensado mas não planeio muito isto e parto para cada festa como se fosse a última.

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Será noite para levar o Grande Casaco Preto ou o melhor será deixá-lo arrumado no bengaleiro? O que se pode esperar deste concerto?

Será noite para deixar tudo no bengaleiro, incluindo a lingerie. Do concerto, espero dança, sexo e litros de suor derramados em palco pelo Jeremy Greenspan, esse incurável pinga-amor com voz de caramelo.

Um dos momentos altos da noite é sempre a sessão de DJ's, num salutar despique entre todos, na próxima sessão Evil Ramos & The Barbarians Vs Mr Mitsuhirato. É o teu desejo de recuperar a rubrica da Ana Cristina Ferrão e espantar os espíritos que há em cada um de nós?

Desta vez serei só eu com o Hugo (Mr Mitsuhirato) para variar dos convidados surpresa e aparições especiais das noites anteriores, preferi assim para não ter que me preocupar tanto com esse rodopio logístico e mais com a catarse, com esse soltar dos espíritos, sim.

Outra das marcas indissociáveis destas sessões são a recriação de grandes álbuns, por exemplo achei particularmente feliz a reinterpretação que os Riding Pânico fizeram do Autobahn dos Kraftwerk. O que pretendes quando convidas as bandas a fazer este tipo de exercícios?

A minha ideia aí surgiu quando comecei a imaginar a música clássica do futuro, no espaço, daqui a uns 200 anos quando os Velvet Underground e os Beach Boys seriam tão reinterpretados como o são agora Bach ou Chopin, etc. O meu maior medo era que isso falhasse e que acabasse em pastiche ou karaoke bera, mas tem muito a ver com a relação obra-intérprete, não pode ser uma escolha óbvia. O que felizmente tem acontecido nesses exercícios é que a personalidade de quem interpreta acaba por sair mais forte e mais presente.

Vários projectos nacionais sempre foram muito bem acolhidos. É a tua forma de mostrar o reconhecimento pela qualidade dos mesmos dando-lhes um palco num espaço como o Lux que de outra forma seria praticamente inalcançável?

Não penso assim, tento apenas ter as bandas de que mais gosto e depois logo se vê. Um dos meus prazeres maiores nisto é misturar públicos e ter de repente gente a falar-me dos Iguanas que abriram para U.S. Girls ou dos Cave Story que abriram para Capitão Fausto. Por outro lado, quando tivemos os Linda Martini com a Gisela João, eu tinha a perfeita consciência de que o Lux já era demasiado pequeno para eles (tivémos que fazer segunda data e daria para fazer até terceira) mas foi por esse mesmo privilégio de ter uma banda já grande a tocar num clube e não dispersa num festival que eu lutei.

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Liars e US Girls também por lá andaram. Há a possibilidade de ver este tipo de bandas em futuras sessões ou é risco demasiado por não serem tão reconhecidas mediaticamente?

A Black Balloon funciona livre de patrocínios por isso há sempre um risco em cada edição, só um suicida não pensaria nesse risco antes de avançar, mas o importante é conseguir concretizar aquilo em que se acredita. Os media, dinheiro, etc flutuam consoante diversos factores e poderia fazer uma palestra aqui sobre isso, mas o mais importante é saberes que aquela banda faz sentido naquela altura e naquele local, o resto acontece naturalmente.

Partindo um pouco em busca das origens. Não seria mais fácil teres ficado sentadinho na cadeira da Radar ou o bichinho carpinteiro foi mais forte do que tu? O que te levou a meter nisto?

Apesar da Radar me consumir muito, nunca fiz só isso, até por questões de saúde mental é importante fazer coisas diferentes. Comecei a Black Balloon porque o Lux me convidou, jamais teria o ego de me propor a fazer algo assim, eles é que me desafiaram a organizar uma noite diferente lá e já namorávamos há muito tempo até que finalmente decidi aceitar.

Porquê o nome de Black Balloon, os vermelhos são da Nena Hagen e a música dos Goo Goo Dolls estava a irritar-te tanto que pensaste que o nome deveria estar associado a coisa melhor?

Ahahahah. Atenção que os vermelhos são da Nena e a dos Goo Goo Dolls nem sabia que existia. O nome veio da Black Balloon dos Kills e também porque as iniciais são BB, que é uma das minhas preferidas do Gainsbourg. A ideia do balão preto foi a de pegar num símbolo de luto e subvertê-lo em festa. Vencer as perdas e todas as grandes dores através da dança, que acaba por ser uma das manifestações mais claras de que estamos vivos.

O melhor destino de um balão é deixá-lo ir. Vais ser novamente o Evil Ramos e já definiste as próximas sessões? O que tens na manga desse casaco preto?

Ainda não sei como será ou se haverá alguma Black Balloon a seguir a esta. Essa ideia de fim próximo também faz com que me divirta muito mais, um pouco como aquele cliché de que se todos soubessem que o Apocalipse chegaria no dia seguinte, assistiríamos ao clássico furacão sexual de hedonismo em massa. O melhor é virem a esta que pode ser a última caso o Trump vença e comece a jogar Leisure Suite Larry com os códigos nucleares.

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* Este texto não é escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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