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Fotografias: The Japanese Girl.

O Quimono do Reverence Assenta-lhes Mesmo Bem

Não nos importaríamos nada de ter vestido o nosso melhor quimono, tirado os sapatos à entrada e proceder ao ritual do chá, para cumprir uma tradição mais ou menos enraizada da Umbigo – fazer a antevisão de um festival, ouvindo os seus protagonistas. Já tinha sido assim com o Vodafone Mexefest, e mais recentemente com o Festival Forte. Na antevisão da edição deste ano do Reverence Valada, a escolha não podia ser menos óbvia – The Japanese Girl, não só pela qualidade do álbum de estreia – Sonic-Shaped Life, mas também por haver uma simbiose perfeita entre a banda do Vale do Sousa e Douro e as margens do Tejo; pelas sonoridades psicadélicas características a ambos e pelas paisagens geradas capazes de potenciar o desejo de evasão em cada um de nós.

Tendo alguns km's de estrada o que representa para The Japanese Girl tocar no Reverence?

Significa que podemos tocar num local especial onde o público vai para amplificar a mente. É uma oportunidade para nós e para as outras bandas de tocar para milhares de pessoas. Sabemos bem que as bandas psicadélicas que vêm a Portugal, fora dos festivais, tocam sempre para 50 pessoas nos pequenos clubes - neste festival aumenta o número de ondas cerebrais.

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Se pudéssemos pedir algumas sugestões de nomes do cartaz da edição deste ano, quais seriam e porquê?

Neste belo cartaz há espaço para a diversidade e não vamos destacar ninguém. Todas estas bandas desconcertantes são bem-vindas. Podemos falar de quem não está, se viessem os Slaves, o Ty Segall ou os Dead Skeletons... seria perfeito. Ou algo desconhecido como os The Dance Asthmatics.

O que poderemos esperar do vosso concerto?

O que se pode esperar é que o público tenha uma experiência sonora levitante, uma viagem mental baseada em canções empoeiradas de reverb e com penhascos íngremes. Há sempre uma certa tensão na nossa música, alguma vertigem perturbadora. Vamos tocar temas do álbum e temas novos.

Como espetadores já devem ter estado nas edições anteriores do Reverence, quais as melhores recordações que guardam?

Sim, conhecemos bem o festival. O nosso primeiro concerto foi precisamente no warm-up da primeira edição. Recordámos boas bandas e um belo cenário, humanos soltos na natureza... a ver os The Telescopes ou os The Black Angels entre bom público que quer realmente assistir e alterar o estado de consciência pela agressão indolor do rock...como que a continuar a revolução elétrica dos 60's.

Como vêem o ressurgimento e o aumento de interesse pelas sonoridades psicadélicas. É moda passageira? Ainda podemos acreditar que é possível desenhar um arco-íris e caminhar sobre ele?

Não haverá nos tempos modernos algo tão revolucionário como foi a guitarra elétrica, esse quase-ovni que irradia mil sonoridades e que serve bem a música psicadélica. Enquanto houver guitarras haverá psych rock. Esperemos que seja suficientemente mutante, ora perfumado, ora crepitante... mas que haja sempre underground, onde miúdos começam bandas que outros acabam. Há uma espécie de auto-regeneração nas franjas onde se toca rock obscuro. E sim, esse arco-íris é intemporal.

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O que mais tem contribuído para este ressurgimento?

Os sub-géneros mais obscuros do rock têm hoje um lugar privilegiado porque os humanos precisam de saciar o desejo espiritual que a música sempre ritualizou. A vaga psicadélica pode ter a alavanca do revivalismo mas tem o tom do momento, quem não gosta de encantar o cérebro com sons?

Considero o vosso percurso bastante interessante, apesar das limitações do mercado nacional. Conseguem ter concertos um pouco por todo o país e por Espanha. Que melhores recordações guardam deles?

Em Espanha ou Portugal as bandas têm o público que merecem, se houver um bom concerto haverá um bom público, sejam poucos ou muitos. Temos tido experiências maravilhosas. Felizmente no underground há esta ligação de fidelidade entre as bandas e o público. Em Espanha têm o mesmo abanar-de-cabeça, shake it baby! Bons rockeiros!

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Este ano assistimos também à edição do vosso primeiro trabalho. O que representa para vocês, uma etapa de consolidação de temas já compostos, um meio caminho para abrir outros à procura de mais novidades, ou nada disto?

Significou efetivamente uma etapa, uma viagem que agora se complementa nos concertos. Os discos são uma espécie de sacralização de uma determinada fase de uma banda, mas não têm que se impor nos concertos até que surja outro disco. As bandas devem ser dinâmicas e rasgar páginas.

Como se deu a vossa relação com a Munster Records? E em que medida é importante editar por uma editora lá fora?

A Munster Records ouviu a nossa maquete, porque fomos propor que a pudessem ouvir, e quiseram contratar prontamente por decisão do fundador Iñigo Pastor. Em Madrid preparámos tudo para produzir o disco rapidamente. A Munster é uma label atual mas com a vibe das editoras clássicas, são profundos amantes de ovnis vinílicos. Foi importante editar por uma label que tenha capacidade de colocação no mercado internacional, sobretudo em lojas de rua... mas podia ser uma label nacional desde que conseguisse distribuir de Moscovo a Nova Iorque como está a acontecer.

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Estarão os músicos, que não a Adele, condenados a ver as atuações ao vivo como forma de vender discos?

Parece que sim. Mas não achámos que os músicos se importem de dar concertos, seja por esse motivo também. A par com outras artes estamos a apanhar as migalhas que as super-potências do entretenimento e os media deixam cair. Tivéssemos nós o poder de acabar com o lixo televisivo e reunir famílias à volta do gira-discos.

Certamente ainda há muitas vontades por concretizar, mas quais aquelas já assumiram como inadiáveis?

Tocar sobre o gelo numa tarde de verão!!! Gravar discos e dar concertos é o que gostámos de fazer, independentemente se fazem parte, ou não, do Plano Nacional de Carreira Rock.

Se pudessem tocar com um músico ou banda, e atendendo a que este ano não tem sido muito tolerante para eles, com quem é que gostariam de tocar antes que se desse algum azar?

Esses músicos desaparecem e ficam nos altares, mas na realidade não chega. Vai-se com eles a veia que podia criar mais música. Podíamos pensar em vários nomes mas o Scott Walker ou os Swans poderiam ser uma experiência interessante.

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