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Fotografias: Oficina Arara, Nuno Gervásio e Dj Quesadilla.

Taina, tainada e as diferentes conjugações da palavra festa

Qual a semelhança entre a mesa de Erasmus e uma mesa minhota? Ambas se alongam. Começa com cinco ou seis; uma boa conversa, uns quantos petiscos, umas cervejas e os amigos vão aparecendo. As horas passam. Não, não passam. O ambiente é sempre descontraído e tudo flui. E a diferença entre ambas? É raro ver tanta mesa debaixo de uma parreira e com verde tinto.

Com base neste regionalismo tão arreigado a Umbigo decidiu, também este ano, conhecer melhor o Milhões de Festa conversando com quem o acompanha desde o início – Fábio Costa; e a sua ligação a um espaço que tão bem absorve esta característica do norte, não só no nome, mas sobretudo no espírito. Ao Fábio, conhecemo-lo do Taina Festa, como Dj Quesadilla e das noites do Damas com o Mundo Quesadilla, mas sobretudo pela sua disponibilidade imensa e boa disposição contagiante. Não poderia haver melhor pessoa a quem endereçar o convite e seguramente não haverá melhor anfitrião.

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Uma das alterações da edição deste ano do Milhões de Festa prende-se com a nova localização do Palco Taina, o que se pode esperar com esta alteração?

Olá. Este olá tem mesmo de ser transcrito (risos). Tem a ver com o facto de tirar mais proveito do recinto. Era muito bonita a localização anterior, mas ficava um bocadinho fora do Festival e é bom que as pessoas estejam mais concentradas. As pessoas ficam logo ali na transição para a noite, podem ir na mesma à cidade, podem ir à piscina. Além disso não se irá perder a ligação com o pessoal de Barcelos, porque os que vão ao Taina também são aqueles que depois encontras nos restantes concertos do Milhões – são os locals e os loucos de Barcelos (risos).

De resto estará lá tudo – a proximidade ao rio, o vinho da Adega Cooperativa de Barcelos, o Pica no Chão e a ementa que terá sempre pratos variados, vai continuar a haver música e o Bionics Stage Management. É bom mudar, se não acaba por ser o mesmo todos os anos. Se há característica do Milhões é precisamente arriscar e vamos arriscar mais uma vez. É um Palco sensível para ser feita esta mudança, não tanto como a piscina que seria um bocadinho mais difícil (risos).

Outras das características do Taina é dar visibilidade a bandas menos conhecidas.

Eu não diria menos conhecidas, mas que o público talvez esteja menos informado (risos). Tens lá os Extraperlo, que é a banda que toca com o El Guincho, que estiveram no primeiro Milhões que se realizou em Barcelos, 10 000 Russos, uma pequena instituição em Portugal, e que também estarão no Taina, o Jibóia e o Ricardo Martins, uma instituiçãozita, uma vez que são só dois (risos). Há também espaço para bandas mais arrojadas como por exemplo os Eat the Turnbuckle, que não é uma banda de música é um espectáculo de Wrestling ao vivo, chegando a andar à pancada em palco. O Taina é o espaço onde é permitido fazer estas experiências.

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Outra das novidades deste ano no Taina é tu programares um dos dias? Como é que surge o convite e o que é que escolheste?

O meu dia será o último, o 24 de Julho. É o meu aniversário e é o sétimo ano que o celebro no Milhões. Como faço sempre lá a festa e como comecei com o Mundo Quesadilla no Damas transportei esse universo para este dia. São bandas que me são muito queridas, próximas e em que acredito muito. É também uma oportunidade de levar os meus amigos de fora lá, mas estão lá com todo o mérito (risos). Estarão os Orchestra Elastique, uma mistura de londrinos das mais diversas nacionalidades, género de Fandango Rock, um grande momento de festa, para terminar em beleza o aniversário, os Extraperlo que são a famosa banda do comboinho de 2010, são uma espécie de GNR à espanhola e os My Expansive Awerness que mais me surpreenderam no Mundo Quesadilla, na edição de Natal; são de Zaragoza e malta que me é muito próxima, num estilo Rock Garage. Para começar os meus meninos Qer Dier, que é malta dos Mighty Sands e dos Galgo e que que em vez de serem 3 em palco vão ser 5, estando a preparar este concerto há algum tempo e com muito carinho, vão ser uma espécie de Swans à portuguesa.

E que tipo de surpresas destinaste para o teu dia?

Não sei se é possível repetir o número do mágico, mas quem tiver um número de telefone de um e que esteja disponível para ir a Barcelos que me contacte. Posso garantir que haverá surpresas e que a festa será mais longa que no resto dos dias, serão 4 bandas em vez de 3 e sem DJ da minha parte, o que é sempre bom (risos).

Transportaste o espírito do Taina para Lisboa com o Taina Fest na Casa Amigos do Minho. Já não vai haver mais ou tens ideia de continuar?

Já fiz essa pergunta a mim mesmo. Por exemplo, há umas semanas houve o rumor de que os Amigos do Minho iam fechar e eu mandei um alerta geral para a Associação Terapêutica do Ruído que fazia aquilo comigo e para a Lovers em que decidimos que tínhamos de organizar outro Taina Fest, mas depois os rumores não se confirmaram e ainda bem. Ficou em águas de bacalhau, mas gostava muito de voltar a fazer isso. Não só por ser num espaço Minhoto, e aí ser Lovers, mas também por se comprar um bilhete e dar direito a comida e depois o próprio ambiente, não era só para ver bandas. Tenho muitas saudades, eram belas tardes, mas vamos ver.

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Outra das tuas iniciativas é o Mundo Quesadilla no Damas. Depois das primeiras 12 sessões o que se pode esperar do regresso de férias?

O Mundo Quesadilla é para manter no Damas, mas vão mudar os moldes. Em Setembro, conto começar uma outra série. O meu sonho era ter uma banda residente e em que cada mês essa banda apresentasse um trabalho diferente. Já convidei pessoal de algumas bandas, mas é difícil juntá-los, ou seja pegar em pessoal que ainda não tenha começado e "obrigá-los" a apresentar trabalho novo cada mês.

E a tua relação com o Milhões? Afinal estás desde o início.

Há 3 momentos especialões. O primeiro, o do Porto, com o concerto de The USA is A Monster que na altura era a minha banda favorita e pensávamos que era inalcançável trazer os gajos cá, éramos muito inexperientes, na altura foi tão arrojado que estiveram 10 pessoas por dia (risos), mas conseguimos trazer bandas que nos diziam mesmo muito. Não foi um acaso. As coisas sempre foram pensadas, muito sonhadoras, mas não é só obra do acaso. OK, queremos fazer um festival, mas com as bandas de que gostamos e queremos que as pessoas as ouçam. Foi bonito porque fez acreditar que o mundo é mais pequeno que o realmente é, então quando és puto. O 2º momento especialão foi o do Milhões em Braga, que foi aquele mais inalcançável porque decidimos ocupar o Censura Prévia durante dois dias – não havia nem condições de eletricidade, de higiene, nada. Fizemos um Festival com 20 bandas portuguesas onde supostamente deviam caber 300 pessoas, couberam 500. Foram 48 horas de festa pura. Já em Barcelos os concertos de Monotonix e do El Guincho, parece que estou a ser demasiado saudosista, mas há dois anos o de The Commet is Coming também me marcou muito, com o melhor por do sol de sempre ou mesmo o The Bug o ano passado que me fez quebrar barreiras em relação ao grime, nunca pensei que curtisse grime e de repente estou a ouvir aquilo durante um ano. São todas estas quebras de barreiras, acreditar que é possível.

Desde esses momentos iniciáticos de que falas, quais são as características que ainda se mantêm?

O cuidado com que se programa e continuar arrojado na programação são duas das marcas que se mantêm inalteradas. Apesar de ouvirmos estas bandas diariamente temos a noção que não é o que a maioria ouve, mas para nós faz todo o sentido que estas tenham espaço parecido com um festival grande em que se possam mostrar. A curiosidade das pessoas pelo que é apresentado, o facto de estares à vontade, sentes-te parte de um momento especial que está a acontecer.

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Para além do Taina que outros concertos destacarias da edição deste ano?

Rever El Guincho e The Bug, desta vez com Miss Red, Part Chimp, Sons of Kemet, saxofonista dos The Commet is Coming, os Marshstepper + HHY + Varg que vai ser eletrónica destruidora, Bexiga 70, porque vai ser a nova banda do comboinho (se alguém ficar parado é porque é muito rabugento ou muito mal disposto) e os Big Naturals, porque foram espetadores o ano passado, e disseram que se tivessem oportunidade de tocar no Milhões seria tão alto que a piscina iria fazer ondas – vamos ver se cumprem a promessa. Os Ho99o9, estou curioso para ver como o hip-hop se mistura com o punk e os Oozing Wound, que embora não tenha ouvido o Fua me aconselhou vivamente.

Acompanhando de tão perto a história da Lovers & Lollypops, o que pensas que veio acrescentar que não havia no panorama da organização de concertos em Portugal?

A Lovers trouxe um certo ímpeto diferenciador que não havia até então. Foi também capaz de transpor a cultura DIY para criar um movimento que há 10 anos não existia de todo. Teve o cuidado de formar laços entre as bandas e um espírito de família entre todos. Esta forma de trabalhar, muito próxima, fez com que as bandas também passassem a criar as suas próprias coisas, por exemplo, um dos elementos dos Glockenwise agora tem uma promotora (a Macho Alfa), o Zé dos Kilimanjaro também faz agenciamento, ou seja, serviu como a motivação para se começar a trabalhar na música. Mesmo eu que nunca tive nenhuma banda, agora aventuro-me pela promoção, pelo agenciamento e isto totalmente graças à Lovers, porque trazem também muito amor à causa, envolvendo, desta forma, mais as pessoas, motivando-as mais, fazendo com que outros aspetos se tornem verdadeiramente secundários.

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