FOTOGRAFIA

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Em Portugal o território da fotografia tem vindo a evoluir lentamente, existem cada vez mais artistas que fazem da fotografia a sua forma de expressão, galerias, editoras e livrarias especializadas. É o caso da STET, uma livraria que se dedica única e exclusivamente a esta arte e que tem feito um bom trabalho nesta área. Trazem para Portugal importantes editoras internacionais e levam para fora de portas editoras e fotógrafos nacionais.

Falámos com Filipa Valadares, uma das mentoras da STET, que nos contou a história desta livraria localizada num 1º andar da Rua do Norte no Bairro Alto. A STET funciona como uma organização sem fins lucrativos e para além da venda de livros promove diversas actividades e workshops. Todos os meses organizam eventos e participam em conferências ou em feiras como foi o caso da Fil Arte e da Est Art Fair.

A história da STET remonta a 2010, altura em que Filipa Valadares participou na primeira feira de livros de fotografia que se fez em Lisboa, numa co-organização entre a Fábrica de Braço de Prata e um grupo de fotógrafos do Ar.Co. Uma das muitas pessoas que por lá passou foi Paulo Catrica que estava na altura a acabar o seu doutoramento em Inglaterra. Na feira dirigiu-se a Filipa dizendo: “o meu sonho era ter uma livraria de fotografia”, ao que ela respondeu: “se quiseres um sócio estou disponível”. Assim foi, através da feira de Braço de Prata perceberam que havia público para o mundo da fotografia e em Junho de 2011 abriram a STET.

O mercado existe, mas Filipa confessou que começaram no pior momento possível devido à crise. “Conseguimos aguentar-nos até agora e neste momento ou o mundo colapsa ou pior não deve ficar”. Há mais concorrência do que havia em 2011, mas estão a apostar numa divulgação internacional. Participam em feiras em diversas cidades europeias e recentemente estiveram em Paris na altura da Paris Photo numa feira que ocorreu a bordo de um barco atracado no Sena. Do currículo internacional também fazem parte Holanda, Bruxelas ou a Arco em Madrid. Para o ano já estão a planear ir a Barcelona e Londres. Em Portugal organizam diversos eventos à volta de conversas com artistas, editores e livreiros.

A seleção que fazem dos livros é muito pessoal e baseia-se numa escolha que passa por editoras que vão conhecendo, outras mais clássicas como a Steidl, e sempre dando lugar aos editores portugueses cujas obras transportam a cada viagem que fazem para fora. “Trazemos para cá as edições internacionais e levamos para fora as portuguesas como a Pierre von Kleist, Ghost, Kameraphoto ou autores que fazem as suas próprias edições como Margarida Correia ou Filipe Casaca”. Do portfólio também fazem parte edições muito especiais, com outros valores, como é o caso de Lourdes Castro, João Penalva e outros livros de artista cujas edições são de pequena tiragem. Dizem ter edições de autor, outras mais caras, especiais e bizarras. Ficámos curiosos, afinal o que são edições bizarras? “A ideia que se tem do que representa um livro é algo conservadora. Quando dou aulas na STET ou workshops tento desconstruir a ideia do que é o livro. Afinal pode ser muita coisa, uma caixa com papéis no interior, um bloco A3 com folhas que se soltam e que se podem tornar em posters ou um desdobrável com aparência de um A5 que se desmonta e se torna em algo muito maior. Digamos que bizarras significa fora de um formato normal”.

Mas afinal o que significa Stet? É uma palavra que vem do latim e que era usada nas gráficas, de origem anglo-saxónica nos anos 60, 70, para identificar situações de erro/emenda pois quando se enviam os materiais para as gráficas existem sempre emendas a fazer. Após feitas, Stet significa ‘ok, pode seguir’. “Achámos que era uma validação positiva de um projecto que queríamos a longo prazo”.

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