MODA E BELEZA

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São muitas as marcas que para além de terem as suas próprias fundações de arte contemporânea, vão buscar artistas e o seu imaginário para dar vida a algumas peças. A Louis Vuitton é uma dessas marcas. Já fez diversas parcerias com artistas como Stephen Sprouse, Takashi Murakami, Yayoi Kusama, mais recentemente com o street artist Eine – conhecido pelas suas letras super coloridas – e com Cindy Sherman.

Destacamos Yayoi Kusama cujo imaginário é preenchido por bolas, muitas bolas e pontos coloridos: as suas conhecidas polka dots. Marc Jacobs, com o seu sensor artístico, conheceu-a e convidou-a a dar uma nova vida a várias peças da Louis Vuitton. Personagem do cenário artístico do pós-guerra, Yayoi Kusama nasceu em 1929 em Matsumoto, no Japão. A artista faz pintura, escultura, desenho, colagem, e instalação, ficando muito conhecida pelos happenings que produzia. Sempre teve uma vida muito movimentada e chegou a expor juntamente com artistas como Andy Warhol, Robert Rauschenberg, Yves Klein e Piero Manzoni. Desde a infância que que Yayoi é perseguida por uma doença mental – neurose obsessiva – que, segundo ela é a fonte da sua arte. Procurou transportar as suas alucinantes visões de padrões e cores para o mundo da arte, usando-a como forma de controlá-las. É assim que nascem as Redes do Infinito, pinturas abstratas compostas de finas redes de pigmentos marcadas pela repetição de padrões e pontos que puderam ser observadas no Selfridges em jeito de instalação. A própria loja foi imersa em bolas, bolinhas e pontos. Lâmpadas gigantes pairaram sobre mesas, enquanto as paredes, pisos e vitrinas foram cobertas por uma infinidade de pontos brilhantes, em tinta foto-luminescente, de vários tamanhos. Seguidamente várias lojas espalhadas pelo mundo fora passaram a fazer parte do universo Kusama, incluindo as montras da “nossa” Louis Vuitton, na Avenida da Liberdade, levando a que tivéssemos conhecimento desta fabulosa colaboração que incluiu uma série de sapatos, malas, vestidos e lenços. Marc Jacobs sabe o que faz.

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No ano passado foi a vez de Cindy Sherman levar a sua estética ao mundo da LV. O baú foi a sua peça de eleição para a criação do projecto A Celebração do Monograma, baseando-se em memórias dos coloridos rótulos de hotéis que afixou nos baús Louis Vuitton. As malas evocam a jornada de Sherman como fotógrafa, com nove patches bordados que incorporam imagens da sua obra pessoal. O luxuoso baú é composto por 31 gavetas – para guardar tesouros grandes e pequenos –, e o interior deslumbra-nos com tons oriundos da plumagem do senhor Frida, a arara de estimação da artista. “Quando me perguntaram em relação ao esquema de cores e qual era a minha cor favorita pensei na minha arara com o seu verde iridiscente e todas as outras cores que se revelam quando ela abre as suas asas. Tornou-se no esquema de cores para o interior”, contou a artista, acrescentando que o baú poderia ser um mini-estúdio de viagem. “Imagino uma princesa saudita a usá-lo. Adorava que Madonna ou Lady Gaga o usassem e que até mesmo pudesse ser útil para uma drag queen! RuPaul ou Justin Vivian Bond”. The Studio in a Trunk teve uma edição limitada de 25 e foi o primeiro projeto não-fotográfico feito pela artista.

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Cindy Sherman assina um trabalho no feminino, negando estereótipos de beleza e sensualidade consagrados pelos média. Desde meados dos anos 1970, que a artista redefiniu as suas fronteiras como cineasta e criadora de imagens. É ela própria o leitmotiv da sua obra utilizando-se como uma personagem, atriz, modelo e figurino. Nas suas fotografias vai assumindo o papel de diferentes personas, tanto do sexo feminino como masculino. Em cada fotografia, Sherman desmistifica as imagens e modelos que que influenciam o nosso olhar sobre o corpo, bem como o modo de encararmos o desejo. Como referiu Bárbara Coutinho num texto para a edição número três da Umbigo, Cindy Sherman é “frágil, devoradora, doce, violenta, sensual ou sórdida, estes e muitos outros papéis que vai interpretando mostram que a identidade, na sociedade contemporânea, é uma construção imaginária.”

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