DIÁRIOS DO UMBIGO

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Acho que não sabia que cidades inteiras podiam ser elevadas a património da UNESCO, mas chegando a Hoi An percebo que isso aconteça.

A vida faz-se toda em volta do Old Quarter, um conjunto de ruelas à volta de um rio que parece ter sido criado só para ser bonito, só para aparecer nas fotografias. Todas as casas são em cores que dispensam filtro no Instagram e todas as ruas são decoradas com centenas de lanternas coloridas em todos os cabos de electricidade. No rio há pontes de madeira e velhotas que vendem passeios de piroga. Em cada canto um edifício que se tornou histórico de tão bonito que é.  Paga-se bilhete para ver Hoi An.

Hoi An 3

A partir do lusco-fusco as lanternas acendem-se e as ruas enchem-se de turistas e vendedores de tudo. Aqui não parece haver vida para além do turismo. Cada porta é restaurante ou vende sapatos e roupa à medida e de pele à escolha. Não é para vietnamitas que isto tudo aqui está. Ir a Hoi An é como ir ao Freeport, mas com gente. Muita gente. E cada recanto, cada esquina chama-nos a parar só para ficar a admirar, meio embasbacados, o quão bonito é isto tudo. Apesar de parecer inventada para os turistas e suas selfies, há qualquer coisa que não deixa cair Hoi An no artificial, dá a ideia de que em tempos alguém podia ter mesmo vivido ali. Um conjunto de famílias demasiado felizes certamente, sempre a pintar casas de amarelo e laranja, a construir pontes românticas e a acender luzinhas de Natal.

HoiAn-2

Para além da roupa e sapatos só se vende mais uma coisa: comida. E é supostamente tão especial que a cidade recebe agora o Festival Internacional da Comida, ao mesmo tempo que as listas diárias dos restaurante se enchem de pratos que não existem em mais nenhum sítio do Vietname. Aqui há uma sopa de noodles mas sem caldo, uns dumplings a imitar rosas, uns wonton a imitar nachos, uma panqueca a imitar um quebab e uns bolos de manga que são feitos de amendoins. Escolha não falta, seja em restaurante tourist trap, seja em comida de rua – sempre a melhor e sempre ali à mão.

Hoi An é um quadro que alguém pintou e depois decidiu encher com vida real. Quase real.

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