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Chegar a Banguecoque directamente do – brando – Inverno lisboeta é como ir contra uma parede de omelete quente e húmida. Sim, mesmo que sejam 2 da manhã, o calor, a humidade, o cheiro a comida e o ar poluído colam-se ao corpo para não mais sair. Excepto sobre a forma de suor constante e pegajoso. Tenho sorte: de dia estão apenas uns 28°, é Inverno aqui também, e o tempo está sempre nublado. Isso ou a gigantesca nuvem de fumo que nunca larga a cidade e obriga metade dos locais a andar de máscara.

Adiante, que hoje é dia de explorar mercados. De comida, é claro. Não é preciso andar muito para perceber que a comida está em todo o lancil de passeio e esquina e que os tailandeses não ligam muito a horas nisto de comer: é constante. Seja sopa de massa às 10 da manhã, arroz pegajoso com manga, peixes fritos a qualquer hora ou aquelas coisas a vapor, estão sempre a comer! Abençoados sejam.

A Little Food Affair 2

Comecei logo pelas bancas de frutas reluzentes, e que boas senhores! Mesmo as que tinham arroz escondido por baixo, garanto. Depois, tudo em andamento, umas espetadinhas de animais (não posso garantir mas diz que era porco), umas folhas recheadas de arroz e banana, uns crepezinhos de não-sei-quê de um sabor explosivo e eis que se faz hora de almoço. Aqui vamos pelo preço, não só porque dá muito jeito, mas também porque estamos na Khao San, o sítio mais turístico da cidade e nós queremos comer com os locais, de turistas já basta os que açambarcaram Lisboa. Vamos ao Clandestino e por €2,82 comemos uma sopa de noodles com vegetais e um arroz frito com frango e vegetais. Divinais. Ao caldo juntamos todas as especiarias e picantes que foram postos na mesa e então é que choramos na certa, também de satisfação. Para sobremesa apanhamos um senhor que passa a vender escorpiões fritos no espeto. Muito se negoceia e finalmente se come o dito em frente à fotografia – que hoje em dia a vida real só vale se houver facebookes. Para os curiosos diria que sabe a comer um jaquizinho frito, mas só a pele – aqui casca e crocantezinha.

Depois, pronto, o melhor está feito e resta vaguear pela cidade à espera de estômago para a próxima investida. É ir ver budas.

Se a noite de Banguecoque não pára, eu não sei, já a comida, vos prometo, jamais!

A reter: aqui a ASAE ainda não chegou nem perto (tal como o código da estrada aliás) portanto os estomagozinhos mais sensíveis evitem ir às casas-de-banho que são, não raras vezes, precisamente no meio das cozinhas. E também vos prometo que não querem ver o que ali se passa.

A Little Food Affair 3

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