DIÁRIOS DO UMBIGO

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Estás em casa em roupa interior e só te apetece um evento ao ar livre sem música de martelos? Eu estou.

A Elsa interrompeu-me as férias para me obrigar a escrever um texto sobre a segunda edição do Lisb-On, festival que foi muito feliz o ano passado. Ora, não é obrigação nenhuma até porque desfiz-me em elogios quando lá estive o ano passado a disfrutar da relva, dos gins e da maravilhosa vista num recanto desta cidade que bem precisa de coisas que não soem a mofo.

A premissa do Lisb-On são dois dias de música durante o dia, 5 e 6 de Setembro (Sábado e Domingo) a partir das 14h, com bom ambiente e um cartaz escolhido a dedo, algures entre a electrónica mais ecléctica e a alusão ao jazz como príncipio de tudo. Pelo menos é o que eu acho, que não sei ler essas coisas que chamam de “press kit”.

Faço como as gentes modernas e vou à internet ver o cardápio desta segunda edição e fico contente.

O destaque maior vai para os Jazzanova que contam com o cantor Paul Randolph. Grupo icónico da música de dança dos últimos vinte anos que vai certamente trazer uma lágrima de nostalgia associada a um abanar de ancas vigoroso relva acima.

Outro grande destaque é para o senhor Todd Terje que vem dos confins da Noruega com o seu Disco cósmico e apurado em formato live-act que é como quem diz concerto. Faço já aqui um desafio: quem não começar a dançar logo aos primeiros acordes da Inspector Norse merece ficar um ano a ver a TVI (à Clockwork Orange). Espero que o senhor Terje faça no mínimo uma performance tão efusiva quanto esta:

Ainda no capítulo dos concertos há mais boas surpesas: a dupla Andras & Oscar com a sua house sedutora de contornos pop, os portugueses Mr. Herbert Quain e Mirror People (com a sua Voyager Band) e uma estreia absoluta que estou em pulgas para assistir: Fandango, projecto de Gabriel Gomes e Luís Varatojo que unem as raízes da música popular à electrónica. Acordeão, Guitarra Portuguesa e linhas de baixo profundas, querem mais argumentos?

Passando para os gira-disquistas (ou gira-botões, que a malta agora só quer é computadores), destaque óbvio para a menina Nina Kraviz que já assisti e costuma sacar uns valentes malhões techno bem profundos. Mas não podemos esquecer: a Nina aprendeu com Michael Mayer, senhor da Kompakt, a mítica editora de Techno, responsável por destruir alguns subwoofers pelo mundo fora, prolífica e sempre actual. Mayer actua no último dia, domingo, para que a primeira segunda-feira de Setembro seja a melhor do ano.

Por último resta-me destacar dois DJs portugueses que nos acompanham há vários anos, quer na rádio quer nas edições. Isilda Sanches, da Rádio Oxigénio, que é uma das raparigas com mais groove da cidade, dotada de um hipnotismo que torna a Oxigénio na rádio essencial da capital. Rui Miguel Abreu, também veterano, responsável há uns anos pela editora Loop (que editou discos do cacete), e sempre activo nas frentes musicais de cariz mais downtempo e agora também responsável pelo projecto online Rimas e Batidas. Vale a pena ir mais cedo ao Lisb-On para ouvir estas duas figuras míticas. Podem agradecer-me depois.

A partir das 14h, no Parque Eduardo Sétimo (ao lado, não é na feira do livro, ok?), música de várias gerações para, invariavelmente, dançar.

Bónus para quem tiver a pulseira do Lisb-On (que só custa €40 para os dois dias) tem também direito a entrar nos espaços associados ao evento, como Musicbox, Ministerium e Arena Lounge e, claro, assistir à programação dos mesmos, que também é escolhida a dedo:

No Musicbox destaque para a noite da TINK! Music na sexta-feira, uma espécie de pre-Lisb-On, onde vão estar os DJs desta editora mítica que começou nos anos 90 em Amesterdão. House e tudo o resto como deve ser, Audiopath, Daino, Gatupreto, Ka§par e John Holmes (que também faz os vídeos ao que parece, por isso apareçam cedo). A entrada é gratuita para as pulseiras do Lisb-On (desde que cheguem antes das 2h, ok?)

Ainda no Musicbox, Sábado há noite de rock com Black Jews e Go!Zila, seguido de um DJ set de outro veterano, Mário Valente, e de A Boy Named Sue.

No Ministerium dia 5, Sábado, há Josh Wink e Jorge Caiado, jovem produtor português ligado à label Groovement. N’ O Bom, O Mau e o Vilão vai estar o Abominável Homem Funk (Sábado), outra grande recomendação. Mirror People vai estar também a animar o Brownie, ao Príncipe Real, micro-clube com muita atitude e ambiente. E para um final de Sábado descontraído e com cocktails de chorar por mais podem também no sábado ir ao Arena Lounge do Casino Lisboa onde vai estar o veterano Miguel Kellen a espalhar emoções na cabine.

Já fiz os destaques todos agora posso ir de férias descansado. Mas volto em Setembro para lá estar a fotografar este festival imenso. Se virem o Senhor do Gin Atómico por ai não falem com ele que ele é tímido. A não ser que tenham mais de vinte e três anos e queiram pagar um gin, claro.

LisbOn-7

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