FOTOGRAFIA

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Ingrid correu o mundo ao encontro da melhor expressão dos Arquitectos Eminentes

Não percam a oportunidade de visitar a Exposição de fotografias sob a curadoria de Bárbara Coutinho que se encontra no Mude e que partilha a sala no mesmo piso com Arquitetos Designers. Mobiliário e Iluminação onde estão expostos objectos de design da Colecção Francisco Capelo, muitos deles inéditos para o público, desenhados também por arquitectos, alguns concebidos pelos mesmos arquitectos. Ambas focam um denominador comum o objecto da arquitectura.

A fotógrafa alemã Ingrid von Kruse com a formação de designer, seleccionou 28 nomes cimeiros da arquitectura internacional para os retratar, apesar de não ter uma relação especial com esta disciplina, tendo por isso utilizado o Prémio Pritzker para o critério das figuras retratadas. Este projecto nasceu com um livro feito em co-autoria com Martha Thorne em 2011.

Arquitectos Eminentes 1

Retratos genuínos e sinceros muito próximos da objectiva

Tecnicamente usa uma máquina Hasselblad analógica e com filme a preto e branco e apenas com luz natural. Curiosamente, a fotógrafa Kruse não gosta de ser fotografada, como ela afirma; contudo, a seu contragosto, deixou-se fotografar durante a montagem da mostra junto do retrato de Zumthor e dos desenhos de Santiago Calatrava e Mario Botta. A fotógrafa já muito experiente neste género de obras, para além de arquitectos, fotografou outras personalidades como Pina Bausch; Saramago; Leonard Bernstein; Gorbachev; Fellini ou Jacques Delors.

A entrada do espaço expositivo foi bem pensada dado que inicia a abertura com duas obras das diferentes exposições: a imagem recuada de Zaha Hadid e em primeiro plano, o objecto de design de Michael Graves Relógio de Mesa. Aliás, esse objecto (relógio) por si só simbólico, foi bem reflectido porque no campo da fotografia o tempo em si torna-se fulcral, uma vez que a mesma representa o congelamento do tempo, através do momento instantâneo captado num determinado período, imortalizando-o. Não é inocente o aparecimento de um conjunto de fotografias tiradas pela máquina de Ingrid onde as figuras dos arquitectos são evidenciadas com um relógio de pulso como na série a Koolhaas; no retrato de Eisenman e no de Chipperfield, o seu preferido, confessa.

Ingrid começa por conversar com o retratado, procurando conhecer melhor a sua personalidade de modo a poder captá-la na sua forma mais orgânica através do seu trabalho e escritos, processo que reflecte nos registos fotográficos. A base central das composições assenta no retrato das figuras, acompanhadas dos seus projectos, esquissos, depoimentos com notas escritas à mão sobre arquitectura e maquetas, por vezes envolvidos nos seus ateliers de trabalho, funcionando como espaços cenográficos. Cada imagem está trabalhada de uma forma pessoal, onde se observa o homem por detrás da sua carreira profissional, cuja lente registou o olhar, as mãos e a expressão de cada um em paralelo com a caligrafia, o traço e os pensamentos expressos em textos.Trata-se de fotografias datadas entre 2008 e 2011, postadas nas paredes e em vitrinas, evidenciando o contraste entre a luz e o sombreado, relevando a densidade e a profundidade da tensão psicológica mediante as linhas do rosto e sua postura física com os seus gestos que os distinguem. As fotografias são concebidas de um título sugestivo, destacando o pormenor de um sinal característico da figura; nalguns casos, surge uma configuração seriada de retratos como no de Koolhaas ou de Zumthor. Segundo este último, Ingrid afirma: "Este é muito negro, silencioso, fechado. No final falou, mas não muito."

De entre os arquitectos, alguns são imediatamente reconhecíveis pela mediatização existente em redor deles, tais como Niemeyer e Ghery, este "tem imaginação, é um arquitecto excepcional, mas não o mais simpático"; outros com a sua imagem mais discreta escondem-se atrás dos seus projectos de arquitectura. Algumas composições estão inseridas num enquadramento singular e mais criativo e de uma maior complexidade no plano espacial onde a geometria surge bem resolvida, tornando-se autênticas obras de pintura como no de N. Foster; R. Rogers; R. Meier e de G. Böhm.

Para Ingrid Kruse cada imagem fotografada está envolvida num conjunto de histórias e a autora fez questão de sublinhar como fazendo parte do enredo do próprio trabalho do fotografar. Este encanto é inerente a este tipo de trabalhos onde a marca pessoal vive essencialmente do poder dos afectos. O arquitecto português retratado foi Siza Vieira rodeado de objectos por si criados e enquadrado num dos espaços mais coerentes da mostra. Ele é "eminente", como os restantes que Ingrid retratou. "Todos o aceitam apesar de serem muito críticos, e não gostarem de ser mostrados junto uns dos outros."

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