MÚSICA

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Fotografias: Alípio Padilha.

Jacco Gardner é um simpático rapaz holandês que se apaixonou pelo rock psicadélico dos  anos 60 e tem vindo a fazer carreira nesse tipo de música exploratória assente em canções pop de formato mais ou menos livre, onde devaneios sónicos  sem freio convidam ao divagar da mente numa viagem alucinante, com ou sem drogas.

Ao vivo, Gardner e a sua banda (composta por músicos bastante competetentes) impressionam pela definição do som e pela clareza das ideias, evidenciando um som mais musculado do que em estúdio, resultando num todo bastante consistente em termos instrumentais. O problema é que soa tudo demasiado derivativo e algo previsível. Jacco Gardner faz parte de um certo cenário da pop actual onde cabem também bandas como os Temples ou Tame Impala, com nostalgia pelo psicadelismo dos 60. No caso do holandês, a sua música é claramente devedora dos Pink Floyd, tanto da fase com Syd Barrett como dos álbuns posteriores  Meddle ou mesmo Dark Side of The Moon.

Jacco Gardner 1

Ainda que o faça de uma forma competente e bem integrada num cenário pop contemporâneo, falta à música de Gardner a originalidade que lhe permita demarcar-se das influências mais óbvias e construir uma identidade musical distinta. Ouvimos Gardner a cantar e as harmonias vocais remetem-nos para Syd Barrett. Falta-lhe mais expressividade na sua voz também. Em palco, Gardner revela-se uma figura simpática, mas falta-lhe um certo carisma. As  canções, embora com momentos interessantes, são quase todas iguais e com poucas variações a nivel harmónico e melódico e soam demasiado reverentes aos seus mestres, o que impede que a música descole para voos mais entusiasmantes. Por vezes, aproximam-se do universo dos Air, bem patente no ambiente de algumas canções, com a mesma pop sonhadora de melodias e arranjos vocais delicados, que alternam com momentos de um rock mais selvagem e exploratório, muito floydiano.

Jacco Gardner e a sua banda apresentaram as canções do novo álbum Hypnophobia (que não se afastam muito do que já conhecíamos) perante uma audiência rendida ao inegável charme desta música, mas que não deslumbra. Gardner tem algum talento e, com o tempo, poderá descobrir o seu próprio caminho.

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