MÚSICA

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Fotografias: Vera Marmelo.

Enquanto o hype da psicadelia se desenvolve por vezes em contornos duvidosos, existe um outro lado da moeda que são autênticos chapadões na cara. É como se o universo estivesse a dizer-te para suar em vez de tripar.

Na história recente do Rock, têm surgido inúmeras bandas que seguem os ensinamentos mais desafiantes da escola Punk e tudo o resto que gravita à volta desse planeta vigoroso.

Já em 2010 a ZDB tinha apostado nos Thee Oh Sees para abrir para os No Age. Ganharam certamente a aposta e o público teve a chance de assistir a um dos concertos mais míticos que há memória. A história continua o seu percurso quase cinco anos depois, com a primeira aparição em território nacional dos Useless Eaters, a propósito do lançamento do álbum Bleeding Moon de 2014, editado pela Castle Face Records do Thee Oh See John Dwyer.

Banda original da terra onde o Rei dorme o sono eterno mas que actualmente desfila os seus acordes por São Francisco, é na realidade o prolongamento da energia que habita o corpo de Seth Sutton, o protégé de Jay Retard, que desde 2008 lançou inúmeros sete polegadas e que aparece com o primeiro longa duração em 2011.

No concerto do último Sábado, Seth Sutton e banda começaram desorganizados mas há pessoas que se organizam tão bem na confusão que acabam por vingar. Eles vingaram bem o mau início, aqueceram-se e aqueceram os presentes da quase cheia ZDB.

A solidez do discurso dos Useless Eaters assenta numa dialéctica claramente Garage-Punk e a cadência que Seth Sutton aplica nas palavras remete para o Reino Unido, reino esse que nos deu as melodias quebradas dos Wire, os nervos à flôr da pele dos Clash e o Totally Wired  dos The Fall. Estas referências mais que faladas podem deixar os demais “aborrecidos” e a perguntarem-se pelo factor surpresa. Pois bem, não há factor surpresa! Não há elementos novos nem surpreendentes. Há sim uma conjugação quase óptima de pequenas peças que formam um puzzle interessante; peças distorcidas como guitarras e peças que ecoam como vozes. O concerto acabou com a versão Rowche Rumble dos acima citados The Fall e até houve espaço para moche como forma de agradecer aos Useless Eaters a oportunidade de bater o pé ao som de bonança garajeira do século XXI.

A primeira parte do concerto ficou a cargo de Duquesa, coqueluche pop de Verão e também Glockenwise.

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