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23 de Março de 2011, Mayan Theatre vs 5 de Dezembro de 2014, Espaço Nimas

“Assim que estalar os dedos, este concerto vai começar” – assim foi.

David Lynch juntou os dedos, no final da contagem decrescente, e logo soou o doce violino da orquestra que iria dar início a um espetacular concerto com que os Duran Duran presentearam a plateia ansiosa e todos os espectadores que assistiam em streaming através do Youtube.

Sala cheia, palco composto, os músicos entram em acção lembrando-nos que a única coisa que precisamos é do momento presente – All we need is now, é o primeiro tema de um repertório de quase 20 canções que revisitam mais de 30 anos de carreira.

No entanto, mais incrível que o espectáculo dos músicos, é a forma como ficou registado: pelas mãos de David Lynch, e como só ele o sabe fazer, estas duas horas de concerto foram pintadas com os seus devaneios. Optou por colocar as imagens a preto e branco para que pudessem ser coloridas com os “sonhos maravilhosos que a música dos Duran Duran lhe proporciona”.

Barbies em topless e ratinhos de peluche ritmados ao som de (Reach Up for The) Sunrise são apenas uma amostra de tudo o que David Lynch escolheu para decorar a performance dos new wavers. Auto-estradas fluorescentes, olhares vidrados vindos do público e imagens difusas remetem-nos para filmes como Mullholand Drive, mas também casas abandonadas e padrões psicadélicos nos fazem lembrar Twin Peaks.

É assim que se vive todo este filme-concerto, entre sobreposições de imagens e filtros que nos balançam entre a música dos Duran Duran e o imaginário lynchiano.

Planos repentinos, fish-eyes, zoom ins e zoom outs mirabolantes, emprestam-nos os olhos do realizador que nos guia através do seu ponto de vista num concerto brilhantemente levado a cabo por um caloroso anfitrião. Simon LeBon trouxe com ele, para além da banda, convidados como Kelis, adornada com brincos cintilantes para dar voz aos temas The Man who Stole a Leopard e Undone, Beth Ditto dos Gossip, com uma voz tão groovy como os seus movimentos acompanhando-os no tema Notorious, entre outros.

Imagens manchadas a negativo, outras tingidas com fumos coloridos, cortadas com fortes focos de luz, rasgadas por helicópteros e avionetas, interpeladas por ilustrações, umas relacionadas com as canções que acompanham, outras completamente fruto do nonsense – assim é todo este frenesim de imagens, sons, luzes e emoções. Podem, ao início, todas estas imagens parecer uma barreira entre os músicos e quem os vê através do ecrã, mas rapidamente essa barreira se dilui e faz a simbiose perfeita, entre o intérprete e o ouvinte. É muito mais que um concerto ao vivo, a “sonoridade” de Lynch e as “imagens” de Duran Duran são caos ordenado que fazem de DURAN DURAN: UNSTAGED uma experiência audiovisual única à qual vale a pena assistir.

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