MÚSICA

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Fotografias: Vodafone Mexefest / ETIC.

(Não se deixem enganar pelo título... vagabundo no sentido mais teatral e espectacular da coisa)

"Vou ali ao Rossio apanhar o comboio para o Sudão, vão lá ter"

Foi o que disse a uns amigos que ainda iam pôr as pulseiras. Passava pouco das 21h e o electro pop jazzy de Sinkane ouvia-se a chegar aos Restauradores. Quando cheguei perto do palco já me ia a balançar ao som quente de sabor a cacau. Ahmed Gallab saltitava no meio dos outros músicos também oriundos de vários sítios do planeta e com o seu chapéu preto de camponês e camisa com padrão a fazer lembrar um tapete de origem sul americana sorria. Sorria muito ao sabor do groove que se ouvia e aperfeiçoava o enquadramento que o terraço da estação fazia com o castelo em pano de fundo. Respirou-se África em Sinkane e dançou-se um funk sabático que confesso já sentir falta de ouvir ao vivo. Soube bem, soube muito bem.

A desconstrução como forma de movimento.

Poderá ser em breves palavras a descrição das músicas de  tUnE-yArDs no Coliseu.

A manta de retalhos acústicos (no bom sentido, claro) que caracterizam as músicas de Merrill Garbus dá-me a sensação que nada faz sentido até tudo fazer muito sentido e soar bem no fim. As influências são várias, as vozes são muitas porque uma só pessoa parecia ter mais do que uma, os instrumentos atropelam-se de forma ordenada, as roupas exóticas e atitude super bem disposta e dedicada enchiam um Coliseu caloroso e fugaz onde no fim do espectáculo só faltou fogo de artifício para compor o ramalhete de electrónica, folk e indie-pop.

Ouvia-se a 1ª música de King Gizzard & the Lizard Wizard quando os meus amigos insistiram em ir ouvir Kindness na estação ferroviária do Rossio. Primeiro hesitei, mas depois cedi e lá descemos a avenida para fazer uma pequena viagem aos anos 90 e ao seu estilismo musical.

Adam Bainbridge foi o mestre de cerimónias de um concerto totalmente contagiante que enchia o palco com músicos irrequietos e duas bailarinas bombásticas e super sensuais. R&B e electrónica fina em mil folhas de funk, disco e house. Foi um concerto a evocar filmes americanos gravados em VHS e desfiles de moda da Donna Karan, onde não dançar era quase impossível. No final Adam Bainbridge saiu de palco e misturou-se com a assistência, enquanto em palco a celebração continuava, num espectáculo que vale a pena ver de novo.

E com St. Vincent tive a mesma sensação. Confesso que a expectativa não era muito alta e que foi totalmente superada com toda a sua teatralidade e espontaneidade que em disco não chega nem lá perto. Ao vivo parece que encarna várias personagens musicais, que enriquecem o seu ar frágil e sinuoso. Por vezes fita-nos de forma electrizando, outras vocifera palavras ou rasgos de guitarra eléctricos que nos surpreendem mas complementam todo um som que faz sentido existir.

A sua performance interage com a arquitectura do palco quando rebola e sobe e desce os grandes blocos que o constituem. Sempre de guitarra e vestido preto semi transparente a cintilar, personaliza um rock com várias camadas de electrónica e movimentos militares que acompanham a música. No final desliza segura e sensual sobre as mãos do público que a movimenta lentamente como se de uma peça de cristal se tratasse.

Hoje é o último dia e já estou de saída para mais uma noite de concertos :^) para a noite que já caiu e se adivinha fria espero encontrar na avenida da liberdade algum calor com Adult Jazz, Sharon Van Etten, Perfume Genius, Wild Beasts, Branko ou Dengue Dengue Dengue.

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