DIÁRIOS DO UMBIGO

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Há sempre algo novo. Há sempre algo barato. Há sempre algo que ainda não temos. As lojas enchem, as carteiras esvaziam e há um sentimento de falsa felicidade que nos leva a correr de loja em loja como se estivéssemos num carrossel de onde não queremos sair. As etiquetas tiram-se, as compras perdem o seu encanto e as cores deixam de parecer tão bonitas. Quando as luzes do consumismo desenfreado se desligam, o mistério da novidade parece desvanecer-se depressa. De repente não temos nada para vestir.

Ter mais não estava a resultar. Ao deixar-me levar pelas infinitas sugestões das lojas estava a esquecer-me da minha essência. Era altura de voltar aos básicos, de trocar as tendências pelo estilo e de comprar com mais inteligência do que impulso. Estava na altura de ser picuinhas com o que comprava, de ter um extremo cuidado com a qualidade dos materiais que adquiria, de escolher peças que quisesse vestir durante os próximos anos. Já não chegava comprar a t’shirt mais barata da loja, quando sabia que ela ia acabar no monte das coisas que já não quero daqui a uns meses. Já não bastava comprar o vestido de que toda a gente andava a falar se ele acabasse rotulado como démodé na próxima estação.

Voltar ao menos, ao básico e ao minimal não é deixar de lado a moda, é criar uma base mais forte e mais segura para o nosso estilo pessoal. Ao tornarmo-nos mais selectivos com o que compramos e com o que vestimos temos um melhor conhecimento daquilo que queremos comprar, e ouvirmo-nos a nós mesmos mais alto do que a altura das letras que gritam SALDOS nas lojas.

De repente estava a comprar menos. Não havia muita coisa que satisfizesse os elevados padrões que impus a mim mesma na altura de comprar algo. Mas quando finalmente encontrava algo que gostasse e que fosse perfeito em todos os parâmetros que me conseguisse lembrar eu comprava. Como a Vivienne Westwood disse em entrevista à revista The Gentlewoman: "Se realmente gostares de uma coisa, então deves tentar comprá-la. E se não a conseguires comprar, então não compres algo por metade do preço de que não gostes tanto. Não faças isso." Infelizmente, todos fazem isso. Somos fãs do rápido, do efémero e do novo e esquecemo-nos de que é muito mais importante comprar apenas uma coisa de que realmente gostemos, em vez de cinco peças que são apenas satisfatórias aos nossos olhos.

Numa cultura onde o capitalismo quase que domina o mundo sabe bem tomarmos a iniciativa de escolher o menos em função do mais e de regressarmos à época dos pequenos armários e das boas roupas.

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