MÚSICA

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Fotografias: Junior Lins / Offbeatz.

Gala Drop. Sem rodeios. Começar de outra forma será retardar o que é indubitavelmente necessário exaltar – uma das bandas mais estimulantes da actualidade. Sem recurso a designação de origem, porque com eles aprendemos que os limites são construções mutáveis e não materializáveis. São infinito sonoro e convite a mergulho nas profundezas do desconhecido. Desconhecido na medida em que não se acomodam a fórmulas que já se tinham revelado certeiras, na alma, e dançáveis, no corpo. O convite para comparecer no B.Leza A.C.R. (Associação Cultural e Recreativa é bom não esquecer), para concerto de apresentação do novo trabalho II, em noite cinzenta e a conjurar tempestade, só podia ser correspondido com um misto de regozijo e pergunta recorrente – o que terão reservado?

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Questionamento incessante que nos vem acompanhando, a todos os apaixonados de Sonic Youth, desde 22 de Abril de 2010, durante a digressão de Eternal. A surpresa da primeira parte – Gala Drop, pois então, resposta a pedido expresso dos pais do rock-sónico. Um ano antes e o lançamento de álbum homónimo (Gala Drop Records – 2009). Mantras electrónicos, contaminados por um certo tropicalismo, com tintes dançáveis, que se encrosta na pele e a contaminam de matéria flutuante. Já por esta altura, surpreendiam pelo cuidado gráfico, nada despiciendo, quer na elaboração da capa, quer em vídeos para temas como Crystal (de Alexandre Estrela). A matriz identitária começava a desenhar-se e a afirmar-se. Em 2012 e Overcoat Heat com o altamente cantável, mesmo que sem letra, Drop, e ainda no mesmo ano, a colaboração com Ben Chasny (Six Organs of Admittance) e respectiva materialização em Broda. Semanas atrás e a participação em 100 Ra. Ufff! Síntese extrema para ritmo que parece alucinante, e de facto é-o. Há quem cuide as maleitas com chá, os Gala Drop fazem-no compondo temas e mais temas.

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A confluência deste turbilhão criativo deu-se ontem à beira Tejo. Surpresas? Sim muitas. A começar pela introdução de voz e precursão de Jerrald ‘Jerry the Cat’ James, dando à banda uma panóplia sonora mais diversificada e uma densidade que por vezes lhe faltava, acrescentando matéria e composições a puxar ao dub, bem como novas tangentes electrónicas de matriz tribal. Com Maria Reis (a outra metade de Pega Monstro) na guitarra combina-se o lado mais rockeiro, mais rasgadinho. A juntar aos já bem conhecidos: Afonso Simões (bateria), Rui Dâmaso (baixo) e Nelson Gomes (sintetizadores), aquele abanar de perna esquerda parece metrónomo. Sun Gun, You and I, Slow House ou Let it Go, mais do que temas em constante repeat, agigantam-se e assumem-se como plataformas elevatórias que nos conduzem a níveis de descoberta entre diferentes camadas caleidoscópicas que compõe cada um. Experiência a repetir sem hesitação, mergulhar de cabeça, já este Sábado no Plano B (Porto).

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