MÚSICA

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Há quem, genuína e desprendidamente, exista para partilhar a arte que a música é – quando realmente é! – numa categoria quase indizível tamanha é a qualidade do que oferece. O talento é condição embrionária e a partir dela, quando dela possa haver quem se alimente, só os raros têm a competência fina para transformar o jeito num proveito e futuro gloriosos. Peter Broderick é um artista único e senhorio de um dom aprimorado com trabalho, proficuidade, dedicação, tantas vezes diletância e enorme amor. As suas peças brotam sempre de uma indefinível dimensão onírica... são férteis de beleza e escancaradas de incomparabilidade. Broderick de apelido, Peter, norte-americano originário de Portland, é multi-instrumentista, autor, intérprete, produtor: um criativo e criador de corpo inteiro.

O rapaz do Oregon, tendo crescido a saber academicamente como se manipulam para a melodia mil e um instrumentos começou, antes de se dedicar à edição dos seus discos, por tocar com artistas de carreira relativamente experimentada: Norfolk & Western e Horse Feathers. Convidado pelos pares graças aos seus atributos técnicos e harmónicos, Broderick partilhou palcos e estúdios com músicos devotos dos seus predicados absolutamente excepcionais – M. Ward, Zooey Deschanel, Dolorean, entre muitos outros. Em 2007 muda-se para Copenhaga e integra, para concertos e discos, a formação dos ilustres Efterklang. Na Europa, fragmento do globo que mais e melhor o tem abraçado, realiza em 2007, entre concertos a solo ou como convidado, a edição de 2 discos instrumentais onde, com todo o seu engenho, oferece-se sobretudo como pianista e violinista capaz de inventar uma melancolia singular, hipnótica, sublime de encanto e, muitas vezes, despudorada e corajosamente experimental. Em 2008, distribuídos por editoras de nomeada como a Bella Union, Type Records ou Hush, Broderick edita os discos que fazem explodir o seu nome numa repercussão imparável: Float e Home, este último a contar com a sua voz. Pelo velho continente acarinhou Berlim como morada, tendo regressado à geografia primeira há dois anos.

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Se nos servíssemos de uma arriscada mas aguçada contabilidade, de 2007 até ao presente a produtividade discográfica de Peter Broderick, medida em LP ou EP, em nome próprio ou partilhando obras com colegas de nomeada, materializar-se-ia em várias dezenas de edições. Percorrendo, com a mesma mestria, trabalhos sonoros que vão da música para teatro, cinema, instalações ou lançamentos mais, diríamos, convencionais, serpenteia pela música ambiente, folk, electrónica, pop e até dub. Trabalhou com gente como Rutger Zuyderveldt (a.k.a Machinefabriek), Rauelsson, Johan G Winther (a.k.a Tsukimono), a poeta australiana Penelope Joy, o japonês Takumi Uesaka, o seu amigo-“irmão” Nils Frahm ou Greg Haines.

Em palco – e Portugal já o teve por diversas ocasiões – apresenta-se ingente, como se de um homem-orquestra se tratasse. Quando a solo, utiliza a metodologia dos loops, criando harmonias de voz e guitarras, enquanto pendura as composições no marfim a branco e preto do piano ou nas sensíveis mas intensas cordas de um violino. Está de volta para 3 concertos: Bragança (9), Coimbra (10) e Lisboa (11). Desta vez vem acompanhado por uma formação larga de músicos e desfilará os temas do novo EP Colours Of The Night – para além, claro, de outros e extraordinários do seu extenso reportório.

Peter Broderick é um músico total! Que o epíteto seja exclamado alto e confirmado por todos os que, ao vivo, possam entender garantidamente o seu génio. Este afiança-se líquido e infalível.

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