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Artistas Comprometidos

Está a decorrer na sede e nos jardins da Fundação Gulbenkian uma exposição internacional de artes plásticas integrada na edição de verão do Próximo Futuro com a curadoria de António Pinto Ribeiro. A mostra reúne obras de duas dezenas de artistas convidados que actuam no mundo contemporâneo oriundos de onze países, da Europa (Portugal e Áustria), de Africa (Africa do Sul; Moçambique; Marrocos e França/Argélia; da América do Sul (Brasil; México; Argentina; Colômbia e Guatemala).

As peças, algumas inéditas, foram concebidas em várias técnicas e suportes visuais: a fotografia, a escultura, a instalação, a pintura, o desenho, filmes e vídeos. Os trabalhos tiveram como objectivo pretender questionar de que forma pode o artista comprometer-se num mundo globalizado. Foram debatidos com os participantes a forma de comprometer-se num processo de uma reflexão numa espécie de partilha em torno do papel interventivo da obra e do artista como cidadão.

A programação foi dedicada especialmente à América Latina. A questão basilar trava-se em torno da existência ou não de uma identidade latino-americana no discurso da história e das artes visuais. O título é elucidativo apesar de interrogativo, comprometer-se significa estar implicado com e responsabilizar-se. "Uma forma activa e performática mas também submersa e discreta em que o autor se resguarda para mostrar apenas o que realiza. Algumas obras são solares, há nelas uma beleza contagiante, outras são de uma enorme rudeza e brutalidade". (Pinto Ribeiro)

É revelador a força e poder das peças na presença da América Latina através das imagens expressivas que se manifestam, na instalação escultórica com a Teoria de E. Basualdo (Argentina) cujo projecto consiste numa enorme rocha negra suspensa sobre o foyer da Fundação. A pedra em folha de alumínio, amarrada ao tecto por uma corda, fica pendurada a alguns centímetros das cabeças dos espectadores, aguardando a qualquer momento a possibilidade de ocorrer um desastre latente, sugerindo a sua queda, como uma presença ameaçadora. Pedra dentro, Pedra fora de R. Mourão (Brasil) peças em tubos de aço onde o público é convidado a experienciar no movimento que incute às duas esculturas que se encontram simetricamente uma em frente à outra, no interior e exterior, em que o vidro funciona como um espelho. Dos vídeos destaco os de Berna Reale (Brasil) e quanto à pintura mural Império de D. Flores (México). A Espoliada da Guatemalteca S. Monterroso é uma intervenção coerente porque produz uma unidade de conjunto na temática tratada através de diferentes linguagens visuais, desde um vídeo performativo à instalação objetual. A acção transporta em si no plano simbólico os fios da história da Guatemala.

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Teoria, E. Basualdo

ArtistasComprometidos-2
Pedra dentro, Pedra fora, R. Mourão

ArtistasComprometidos-3
Berna Reale

Gritos locais ecoam no universo num compromisso com a beleza e a linguagem

Existem outros projectos de forte impacto potencial de artistas Africanos que se encontra a um nível tão importante como o vídeo Sunday Light de Simon Gush de características da herança da arte conceptual, onde observa o centro de Joanesburgo num Domingo, um dia de não-trabalho, sugerindo que o tempo passado fora do trabalho é o mais importante, segundo Oscar Wilde. É uma cidade que trabalha e dorme e ao Domingo faz o que quer trazendo consigo a sua própria calma; a instalação Solipsis de W. Botha formada por asas e luzes fluorescentes resulta numa atmosfera algo onírica e de uma certa dimensão espiritual; objetos escultóricos de P. Edmunds que tem questionado a própria razão de ser da escultura e a pintura mural Odisseia de Conrad Botes, sendo todos esses criadores vindos de Africa do Sul.

O painel mural O Mundo dos Contrastes do moçambicano C. Mudaulane foi produzido in loco expressamente para esta mostra. "É desejo meu poder contribuir para melhorar as relações entre pessoas e nações."

A presença portuguesa foi reduzida a dois nomes, segundo a exigência da visão do curador: P. Barateiro com um vídeo/gravação e uma escultura Curfew e uma instalação no jardim de J. F. Martins. Os dois artistas têm esse comprometimento com o futuro porque trabalham com os limites de produção, fazendo obras minimalistas de escalas reduzidas.

Festa, alegria, violência, futuro e fragilidade são as palavras-chave do significado que envolvem estes artistas comprometidos que ilustram a complexidade bem como a singularidade destes programas. Em comum existe uma imensa energia, uma pujança e uma ideia de devir. As propostas exploram narrativas da história social e política, evidenciando uma inquietação provocada pelas condições no domínio do real que são depois transformadas em imagens estéticas e artísticas, afastando-se de posições mais ativistas e de enredos panfletário.

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Solipsis, W. Botha

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Odisseia, Conrad Botes

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O Mundo dos Contrastes, C. Mudaulane

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