MÚSICA

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Fotografias: olhos(«Ä»)zumbir.

Música sem muros

Barcelos voltou a ser o epicentro de algumas das sonoridades mais fervilhantes da actualidade. De nomes consagrados a exploradores de melodias, da pop mais dançável às batidas mais pesadas, todos são bem ­vindos nas margens do Cávado. O cartaz ecléctico fez as delícias de um público que privilegia a qualidade sem marginalizar géneros ou tendências musicais. No Milhões a genuinidade e genialidade da música vive por si, sem bengalas, fronteiras ou limitações.

Dia 26 de Julho

Ao terceiro dia do Festival, optámos por refrescar as ideias na Piscina Red Bull City Gang. Os Solar Corona proporcionaram a terapia ideal para um início de tarde revigorante. Os ritmos e cadências psicadélicas dos rapazes de Barcelos deram depois lugar às guitarras serpenteadas de Mdou Moctar. O dedilhar delirante dos músicos de Níger, transportaram as margens relvadas da piscina para um oásis em pleno deserto africano.

Entre mergulhos e banhos de sol, os Memória de Peixe deram uma lição pautada em forma de paisagem sonora electrizante. O final de tarde continuou em modo baile tropical, inflamado pela máquina de diversão La Flama Blanca. Versões solarengas com sabor a fiesta num estilo politicamente incorrecto, foram os ingredientes do cocktail servido por Pedro Azevedo.

Já pela noite fora e depois de um farto repasto à moda do Minho, os Equations proporcionaram a fórmula matemática certa para uma digestão compassada. Por volta da meia­ noite, o Palco Milhões recebia os Flamingods, uma tribo flamejante em túnicas batik a proporcionar doses pacificadoras de cadências ritmadas. Depois de exorcizar os espíritos com os xamãs londrinos, as vibrações pungentes dos rapazes da casa fizeram vibrar o Palco Vodafone FM. O turbilhão rock que dá pelo nome de Glockenwise provocou agitação e reboliço entre a assistência. As descargas de energia atingiram o seu pico com os californianos High On Fire, uma autêntica locomotiva enfurecida e arrebatadora.

Dia 27 de Julho

Numa altura em que o corpo já evidenciava alguns sinais de cansaço, fomos salvos pelo rock solarengo dos Duquesa. O colectivo, que reúne alguns dos elementos dos Glockenwise, proporcionou a dose de decibéis adequada para arrebitar os estados mais preguiçosos. Continuámos a viagem pela margem sul do Tejo com os The Jack Shits, peritos num rock espontâneo, cru e autêntico. A exploração das sonoridades lusas ainda desceu até ao Algarve, para dar lugar melodias electrónicas e contemplativas de Zacarocha.

O anoitecer em Barcelos foi celebrado em sintonia com a natureza num diálogo musical inédito que reuniu Filho da Mãe e Norberto Lobo. O mesmo espaço foi cenário para a electrónica poética e espiritual de Young Magic. O palco Milhões abanou mais tarde com as guitarras energéticas dos Earthless, o robusto e incansável trio norte­americano não deu um segundo de descanso à audiência.

O outro recanto do recinto serviu de pano de fundo para as melodias dançantes de Sequin, projecto a solo da cantora Ana Miró, que ganhou um destaque merecido desde a edição anterior do festival. O palco Vodafone FM recebeu ainda as batidas frenéticas e ritmos artesanais dos Jagwa Music. A trupe da Tanzânia não deu tréguas às ancas e espalhou animação em doses arrebatadoras.

De volta ao palco Milhões, os ânimos mantiveram­se acesos com o delírio psicadélico de Seattle Night Beats ou o afrobeat emoldurado pelos saxofones alvoraçados do projecto Melt Yourself Down. Por altura do live act dos Frikstailers, um autêntico parque de diversões com contornos néon instalou­-se no Palco Vodafone FM. A dupla de Buenos Aires recriou uma espécie de ilusionismo electrónico que cresceu em sintonia com vocalizações manipuladas. A animação prolongou­-se até de madrugada com o Dj e produtor Nigga Fox. Um sound shake de influências que se estenderam do kuduro à tarraxinha, mostraram o que de melhor se tem feito por Luanda.

Depois de mais uma despedida em êxtase, fica a certeza de um festival que se renova em cada ano que passa...

Obrigado Milhões e até 2015!

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