MÚSICA

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Fotografias: Vera Marmelo.

Nasce Herman Poule Blount, o seu nome legal é Le Sony'r Ra mas toda a gente o conhece por Sun Ra. Talvez esta trilogia de nomes denuncie a complexidade do músico que desde muito cedo revelou capacidades extraordinárias no piano e composição. Influenciado pelos músicos da Big Band que passavam na sua terra natal, Birmingham, Alabama, inicia uma carreira longa, com uma discografia extensa, mutável e controversa. O legado ainda se faz sentir, reencarnado na Sun Ra Arkestra, que tocou na passada segunda-feira no B.Leza, concerto este organizado pelo colectivo Filho Único.

O muito público que assistiu ao concerto cruza gerações, estilos e status social, dados que confirmam o ecletismo musical ao qual Sun Ra e associados nos habituaram. Sob a direcção de Marshall Allen (nonagenário, fiel companheiro de Sun Ra e líder da banda desde a sua morte), os Arkestra sobrevoaram terrenos essencialmente jazzísticos, sendo que na primeira metade do concerto "a-SATURN-iaram". Isto porque é a ligação ao cosmos que tele-transporta o público além de notas, escalas e ritmos. Os Arkestra elevam a fasquia para além do Jazz e todas as suas variantes. O africanismo sobressaí, ao qual não escapa momentos Funk e o experimentalismo abre caminho a uma actuação solta de formatações.

Mas se o público precisa de AR(kestra), também os Arkestra precisam de público. Houve espaço para que a banda saísse de uma zona de conforto (o palco) e passasse para outra zona de conforto (o público), em fila indiana, enquanto continuavam a tocar, em perfeita harmonia, os seus respectivos instrumentos.

Se os terrestres são peritos em delinear fronteiras, ficou bem claro neste concerto que os Saturnianos rejeitam qualquer tipo de limites, convenções e gravidade.

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