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Andere Neukölln tage/nacht

É sexta-feira... já não trabalho por isso é fim-de-semana na minha rotina de escravo. Deixei-me ficar na cama pois estou doente e dormir é o melhor remédio. Ao menos estou longe deste mundo do tangível por mais menos tempo. Acordei tarde e procrastinei um bocado aqui e ali. Não me lembro se fiz algo ou não, por isso... procrastinar parece bom verbo para quem se esquece que o mundo gira em torno do sol e de si.

Peguei na bicicleta e mandei-me para a sessão de discos na casa do meu amigo marroquino-luxemburguês, Akeem. O Liam do gangue dos aussies também lá estava. Partilhamos música e acabei a trocar um disco com o último. Ele vai dar-me um disco de acid techno gutural (ouvi um lado e fiquei vidrado) e eu vou dar-lhe um ou outro disco de house à escolha dele... Desde que não seja uma faixa que me doa, ele pode ficar com ela. A sessão foi boa, partilhou-se música, cerveja e ideias e falou-se de fazer um open-air este verão. Se for um a sério é suficiente. Estas coisas agora são bastante difíceis de manter e a Polizei aparece sempre para mandar a festa abaixo. Eu não sou daqui mas sei que já não é o que era.

Desci as escadas do flat e 2 blocos de prédios ao lado faz-se uma vernissage (inauguração, aqui utilizam muito o termo francês não sei porquê, entre outros este é bastante banal). É uma exposição de artistas amigos na qual fui convidado a participar. Este tipo de coisas é bastante comum por toda a cidade. Há muitas exposições de malta jovem que cura pequenas galerias pois os espaços ainda são baratos para manter. Já frequentei algumas em Rosenthaler Platz e Hackesher Markt, mas essas zonas não me atraem muito, nem as pessoas que nelas habitam. Prefiro manter-me por X-Kölln e ter o nível de hipsterismo controlado bem como o preço da cerveja. Por vezes cruzam-se galerias com habitações como foi o caso desta última, parece que no quarto do fundo mora a pessoa que cura a galeria. Neste caso levou-se todos os objectos do quarto para outra divisão porque se necessitou daquele espaço para expor. Funciona como casa/galeria.

Se não fizesse parte ou amigos talvez não lá fosse ver, isto aqui é tipo cogumelos... e somos todos artistas (e/ou bêbados/drogados). Havia peças interessantes sem dúvida. A exposição foi diversa e coerente e com items variados desde desenho directo na parede com borrifador (estilo graffiti javardo sem o ser) a desenhos a caneta sobre papel, baixo relevo em madeira e até edição digital com base em imagem e video. Participei numa fanzine com uma série/experiência progressiva em 4 spreads de páginas.

Fotos da exposição em anexo. Olha eu ali. Mãe já apareci numa revista online. Se calhar já é altura de começar a ser pago pelos trabalhos. Aguentei lá um bocado mas como estava doente voltei para casa para deprimir o meu cérebro sozinho. Mais um dia e mais uma noite. Mais uma depressãozinha e vou dormir para fingir que não existo para o mundo e ele para mim.

PMS.: Batatas fritas em alemão escreve-se pommes frites. Mas batata já se escreve kartoffel.

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