BOA-VIDA

  • none
  • none
  • none
  • none
  • none
  • none
  • none
  • none

Fotografias: António Néu.

Contemporaneidade Tradicional.

É no centro de um Alentejo profundo que se insere a Herdade da Malhadinha. A cidade mais próxima é Beja, depois seguem-se alguns quilómetros que percorrem a savana alentejana até se avistar uma verdejante vinha, perfeitamente inserida num espaço propício ao relaxe total.

Ao chegar à Malhadinha, sentimos um corte com a realidade urbana, num espaço muito familiar com apenas 10 quartos em que o cheiro do campo se funde com o odor dos ambientadores Castelbel que povoam os interiores. O cheiro, a música, as velas, as flores brancas, mostram-nos que chegámos ao paraíso.

Após uma viagem repleta de um calor árido, dão-nos as boas vindas com um refrescante pano turco. No quarto uma cesta de fruta da época e um bom vinho. Segue-se uma visita ao espaço onde a piscina assume um lugar de destaque devido ao seu enquadramento com a savana alentejana, como pano de fundo, e ao azul do céu que se reflecte na água translúcida. A piscina, aliás, tornou-se emblemática pelo facto de ter aparecido no filme Second Life, rodado, quase na sua totalidade, na Herdade da Malhadinha.

O hotel é composto por três suites e sete quartos duplos. Nestes vão-se criando diversos ambientes e atmosferas através das cores e mobiliário escolhido. Philippe Starck é parte integrante deste ambiente e está muito presente através das suas peças ícone, que se fundem na perfeição com o rústico. A sua presença deve-se a Rita, uma das proprietárias, que tem um especial interesse por arquitectura e design. Sempre pesquisou em revistas como a AD e Wallpaper, de onde retirou algumas ideias para o projecto. Em todo o interior, desde a iluminação às cadeiras, somos brindados com uma série de peças deste designer.

Malhadinha-11

Malas no quarto, biquíni vestido e toalha ao ombro, tinha chegado a hora do merecido e relaxante mergulho naquele azul que nem as fotografias conseguem captar na perfeição. Após o exercício, a fome tinha começado a manifestar-se e nada como uma boa refeição acompanhada de um excelente copo de vinho branco. Os vinhos são o ex libris desta propriedade, tanto ao nível da paisagem, como da degustação.

É à volta destes elixires que tudo se passa, numa espécie de culto que começa pela paisagem povoada por 27 hectares de vinha, passando pela cave das barricas, escavada na encosta a vários metros de profundidade, terminando com uma prova que dá a conhecer as mais variadas gamas que por ali são produzidas. Aqui são cultivadas uma impressionante variedade de castas que passam pela Touriga Nacional, Alicante Boushet, Syrah, Cabernet Sauvignon, entre outras.

O Monte da Peseguina constitui a gama de entrada, mais jovem e de fácil compreensão. Segue-se a gama superior: Malhadinha, que dá o nome à propriedade e é o vinho mais premiado a nível nacional e internacional. Luís Duarte é o enólogo consultor e segundo Bruno Marques, manager da Herdade: “São vinhos que já estão a estagiar em barricas de carvalho francês; têm um blend de cinco castas tanto no Malhadinha como no Monte da Peseguina." Quem visita esta herdade pode fazer todo um percurso à volta desde culto que transforma um leigo num conhecedor principiante e devoto aos prazeres da degustação.

Malhadinha-10

Trata-se de um projecto verdadeiramente familiar em que até alguns dos nomes dos vinhos e respectivos rótulos estão relacionados com os filhos dos proprietários. Contactaram várias empresas de design para que apresentassem propostas para os rótulos, mas todas foram recusadas pois os proprietários não sentiram empatia pelos desenhos. Como tal decidiram pegar num desenho da Francisca, a filha mais velha, e usá-lo como rótulo. O primeiro foi um cacho de uvas pois queriam transmitir uma identidade para o próprio vinho. “Em 2008 para comemorar o nascimento do António fizemos O Menino António, uma mono-casta de Alicante Boushet. Teve bastante saída e na altura como o António não sabia desenhar, o seu pé tornou-se no rótulo”, conta Bruno Marques.

Vive-se em toda a Herdade uma dicotomia entre o tradicional e o contemporâneo, o restaurante não foge à regra. Um gourmet com fusão dos sabores tradicionais da região, cujo fantástico menu é concebido sob a orientação de Joachim Koerper, já portador de uma estrela Michelin e responsável pelo restaurante Eleven, em Lisboa. Joaquim não foi escolhido por acaso: “Era importante que houvesse uma particular atenção relativamente aos produtos produzidos no local e na região.

Entrou no projecto a convite da família, não só pelo facto de lhe ter sido atribuída uma estrela Michelin e ser o chefe do restaurante Eleven, mas também pelo facto de reinventar os pratos tradicionais como as migas, a açorda, etc.”, conta Bruno Marques. Foi lá que começámos a noite, numa verdadeira fusão de inesquecíveis sabores acompanhados de uma degustação vinícola. Um vinho para cada prato, passando do estado sóbrio ao levemente ébrio. E assim terminou a noite numa caminhada pelo estrelado céu alentejano.

Malhadinha-9

No dia seguinte tivemos a oportunidade de visitar toda a propriedade num on the road a quatro rodas. Uma imensidão de vinhas que se cruzam com as oliveiras, cutelaria, gado (porco preto e vaca de raça alentejana) a terminar na adega que foi construída com o intuito de receber pessoas, sendo-lhes possível circular e ver todo o processo. Foi o que fizemos e achámos impressionante.

Para além do descanso, dos prazeres da leitura e de um belo mergulho na piscina, cada hóspede constrói a sua própria experiência. Esta pode estar relacionada com vinhos, aventura, gourmet, spa, relaxamento, workshops, passeios a cavalo, entre muitos outros prazeres. Segundo referiu Gabriela Botelho no livro Luxo e Charme na Hotelaria em Portugal: “Há, sobretudo, uma busca simbólica de autenticidade, de identidade, de raízes, de locais com memória, em simultâneo com uma procura emotiva de sensações múltiplas, de estímulos à imaginação, através dos sons, dos cheiros, da atmosfera e ambientes que despertam os mais variados sentidos.”

Menú

Começar – Queijo fresco de Albernôa com melancia e redução de vinagre balsâmico acompanhado com Rosé da Peceguina 2012

Camarão da costa algarvia com meloa e redução de balsâmico acompanhado com Monte da Peceguina Branco 2012

Principais – Bacalhau confitado com tomilho e legumes mediterrânicos acompanhado com Monte da Peceguina Tinto 2011

Costeletão de porco preto DOP com quinoa de legumes e alecrim acompanhado com Arogonês da Peceguina 2009

ARTIGOS RELACIONADOS

Boa-vida

Newsletter

Subscreva-me para o mantermos actualizado: