MÚSICA

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Fotografias: Jorge Pereira.

Ir ao Cartaxo acima de tudo é o que se pode chamar de um happening, em certa medida faz-me lembrar os concertos da juventude; Apenas uma minoria fazia parte do movimento. Quem está sabe ao que vai e a sintonia é perfeita. Será elitismo, ou apenas uma questão de bom gosto?

No warm up, e no intervalo das bandas tínhamos a dupla de Dj convidados, Glenn Pires & Candy Diaz, que faziam as honras na casa à entrada do Auditório. Esta dupla prima por uma seleção musical cuidada e viajada entre singles que não temos a oportunidade de ouvir com frequência. Conseguem fazer com que a vertigem entre os Goat aos Hawkwind seja quase imperceptível.

Perto da meia-noite, duas horas após a hora prevista do concerto, arranca a primeira banda, os portugueses Black Bombaim.

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A intensidade deste trio instrumental enche todo o auditório, a bateria é dominante sobre tudo o resto, e as guitarras seguem em duelo titânico atrás dela, mas ela marca todo o ritmo.
Temos aqui o chamado “pano para mangas” é livre, é solto, e temos música para atravessar do deserto na diagonal sem conseguirmos chegar à outra extremidade.
O seu álbum encontra-se na corrida para “álbum português do ano” a distinção é merecida.

Chegado o momento mais aguardado, Wooden Shjips.

Jorge-Pereira-foto-6--wooden-shjips

Algo que despertou a nossa atenção até à chegada ao palco de Ripley Jonhson e companhia, o teclado de Nash Whalen, primava por um adorno no mínimo diferente, mas dentro daquela realidade faz todo o sentido. Enfim, pedal a fundo a viagem vai começar.

(Não me canso de dizer que adoro a simpatia tímida do Ripley e que a sua voz me lembra sempre Alan Vega. Por falar em voz, esta poderia ter sido mais presente no auditório, estava baixa tendo em conta todo o resto.)

Esta jornada é adornada por luzes cósmicas, efeitos psicadélicos e movimentos marcados, não sei se teria o mesmo impacto fazer o concerto num outro lugar, eu penso que não.

Recordo-me essencialmente de o concerto ter arrancado com we ask you to ride, coisa que acedemos de imediato. Corpos a dançar de forma livre, descoordenada quase a antever uma possível epifania ao som de um alinhamento que atravessou todos os seus trabalhos até agora editados. Desde o Dos, West, álbum homónimo, do último back to land.

A fusão foi de tal forma perfeita, que queríamos todos participar e perpetuar o momento, a invasão ao palco era inevitável. Eles saíram felizes e nós entrámos na sua dimensão.

Alinhamento
we ask you to ride
fallin
rising
lazy bones (…)

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