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Pentagram – Forever My Queen (demo 1973 – editado em 2001)

Há bandas que estão destinadas a viver na obscuridade. Seja por um desalinhamento cósmico, seja por oportunidades mal aproveitadas, seja por um temperamento menos correcto de um membro da banda ou, simplesmente, porque não estava destinado para acontecer. No caso dos Pentagram, é o conjunto de todos estes factores e mais alguns.

Liderados por Bobby Liebling, os Pentagram existem desde 1971. Subsistindo numa dieta à base de Blue Cheer e Black Sabbath, esta banda da Viriginia caracteriza-se por um som pesado que, não obstante, tem um lado orelhudo e viciante.

Como prova disso, temos este tema, Forever My Queen. A bateria dá o mote com um ritmo simples ao qual se junta um dos mais demónicos riffs algumas vez invocados na história da música. A batida é tão simples e o swing é tão forte que uma pessoa fica imediatamente hipnotizada como se se tratasse de um flautista de Pan satânico armado com uma guitarra. A voz de Bobby Liebling tem uma tonalidade forte como um pregador do apocalipse fixado numa pobre alma que tem agora sob o seu controle. Bobby Liebling não oferece qualquer hipótese de fuga e alguém há de ser a rainha dele, dê por onde der.

Sendo uma faixa de curta duração, Forever My Queen devia figurar em todas as compilações de clássicos dos anos 70. No entanto, tal não aconteceu, tendo ficada por editar durante décadas (nos anos 70, os Pentagram apenas editaram um single, Be Forwarned, sob o nome de Macabre).

Como explicado no excelente documentário Last Days Here (2011), Bobby Liebling revela ser uma figura mítica da música perseguida por demónios pessoais mais fortes do que ele, como se se tratasse de um Roky Erickson ou de um Daniel Johnston. Ele demonstra ser uma pessoa de difícil trato na qual não se pode depender, onde a sua toxicodependência impede a banda de chegar mais longe, queimando pontes com editoras discográficas grandes na altura (como com a CBS) e com vários membros dos Pentagram que depositaram a sua confiança nesta figura singular.

O material gravado pelos Pentagram nos anos 70 foi editado finalmente em 2001. A qualidade das músicas dá que pensar no que poderia ter acontecido caso estas tivessem visto a luz do dia na década em que foram registadas. Entre outros que prestam respeito a este tema quasi-sobrenatural temos o supra reverenciado Jack White que faz uma versão com os seus Dead Weather.

Mas nada melhor do que ouvir a versão original para fazer justiça a este particular encantamento sónico deste bando de indivíduos desajustados demais até para os anos 70.

* Carlos Ferreira é guitarrista/vocalista da banda Asimov

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