DIÁRIOS DO UMBIGO

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No Rock, assim mesmo, de poucos acordes e com quatro letras apenas tal como “puro” e “duro”, nesse “Rock puro e duro” Lou Reed a par de Iggy Pop sempre foram duas das figuras que mais ouvi e respeitei. Honestos no que faziam como músicos e como pessoas. E influentes. Leio nestes ainda quentes óbitos sobre Lou que por exemplo a Rolling Stone diz que foi um dos pioneiros do Rock. Não concordo, foi sim um dos pioneiros do que então passou a designar-se “rock alternativo” graças aos Velvet Underground e sua influência em todo um Pós-Punk e Indie Rock. Aquela mistura de Rock com laivos de vanguarda era única. O visual da banda era único, as letras, as apresentações. Mas como quase tudo só se fala do mais conhecido, e esquece-se dos proto Velvet, os The Primitives, tal como só se fala de Transformer ou New York e esquece-se de Sally Can´t Dance, Conney Island Baby ou Berlim, etc. Lou não era só umas músicas, era uma carreira toda com altos e baixos, mas firme. Berlim de 1973 por exemplo era um dos álbuns favoritos de Sioux Siouxie e como tal influenciou toda uma cena de Rock “cinzento e negro”. Também existe uma tendência para considerar John Cale como o intelectual dos Velvet e Lou apenas o rufia das ruas de Nova Iorque. Não é bem assim, pois Lou conciliava jogos de flippers em salas do fundo de bar fumarentas com leituras de Dostoiévski. Percebe-se. Avesso por natureza a modas, ele esteve presente sorrateiramente ao longo das décadas, como aquele amigo com quem podes sempre contar mesmo que não o vejas faz algum tempo. E juntos, muitas vezes ele tocava só para mim na sala enquanto eu prestava atenção à sua poesia.

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