DIÁRIOS DO UMBIGO

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Fotografias: Hell Yeah.

Trarrratampah!!! Nunca se tinha ouvido nada assim. Nem visto. Na estação de serviço da Avenida de Ceuta já se viu, viveu e ouviu contar muita coisa, mas garante quem lá esteve que esta foi a primeira vez. Ainda em andamento Theresa atravessa a janela do 2 cavalos para o mini coupé de Helena. Abraça-a. Há quem afirme a pé juntos, que antes do guinar do arranque, deram um sonoro chuac. Boris não sabe, não responde. Não tem nada a declarar. No carro, ou na cabeça, ecoa Long Hot Summer. Quente não muito e longo tão pouco. Da Estrela, aqui – 3 km? 7 minutos?

O cérebro está estranhamente limpo, como o nascer do sol do Lux às 7 da manhã. Há quanto tempo andariam? Não interessa. O que antes era original passou a ser vulgar? Não interessa. Estaria em baixo de forma? Não interessa. Desinteresse sim; inactividade não. Arranca. Ele mais calmo. Na subida para o Casal Ventoso, um cartaz do Pet Sounds. Em ponto morto, estica-se. Sim, são eles, os Beach Boys. Numa barbearia?!

À entrada as boas-vindas - “Bonjour, morcão! Bonjour, morcão!”, repete o papagaio com sotaque entre o Val de Marne e Amares. Entra hesitante. Recostado e de pés esticados sente um ligeiro bafo. Não das minis como sobremesa, mas de quem esconde a garrafa de Moscatel de Setúbal entre o restaurador e o amaciador. No lugar do transístor, uma jukebox – O Anjo da Guarda de António Variações. A conversa, longe da circularidade tempo, política e governo, encaixa-se meticulosamente. A navalha e a tesoura parecem Fred Astaire e Ginger Rogers. Sintonia perfeita. Ao espelho, Boris agiganta-se. Perfeito! (5 euros).

Em rota livre uma libélula (0 euros) aterra no novo penteado. É normal no final do Verão. Sabe que nunca será dele. Uma fotografia basta para recordar o momento de estranha intimidade. Nunca foi de grandes superstições. Considera-se ser iminentemente racional, embora já não leia Kant há algum tempo. Mas porra!? O poster do Pet Sounds, um papagaio e agora uma libélula. Que coincidências são estas!? Assume-as como um sinal.

Decide investir o dinheiro das férias. Começa pelos animais pós-modernos: os robots. Um peixe (7,34 euros) e um cão (6,61 euros que dá luz e música). Compra um par de pilhas extra. Nunca se sabe quando o peixe tem vontade de dar à barbatana. Em seguida, uma tarântula arborícola (12 euros) e um gecko leopardo (35 euros). Excedeu-se é certo, mas são de sangue frio e não necessitam de cuidados excessivos.

Em casa, de charro na mão e enquanto lê as instruções do aquário, toca a campainha. É o Pedrito, filho da Cármen. Uma enorme caixa de bichos-da-seda (0 euros). Precisa de ajuda para o projecto da escola. Quem agora com tempo e dedicação os poderá cuidar tão bem? Um petfreak? Não interessa. Boris, finalmente ama.

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