MÚSICA

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Fotografias: Lais Pereira.

Senhoras e senhores podem-se sentar nos seus lugares porque a viagem vai começar. Podia ter sido uma voz instalada em algum canto do aquário da ZDB no início da noite de terça antes dos concertos de Jobóia e Moon Duo... mas não foi. Fica a ideia.

Moon Duo – Rust never sleps

Krautrock psicadélico, com nuances de groove electrónico? Space-rock de 12 cilindros? Bem, termos não faltam e todos eles fazem sentido... A verdade é que Ripley Johnson com os seus riffs gadelhudos, Sanae Yamada e o seu teclado que acompanha o hipnotismo da sua dança bamboleante e despenteada, e a lenga lenga percussiva de John Jeffrey deram um concerto envolvente e sedutor que nos levou o corpo a mexer repetidamente nos vários sentidos, mas sem nunca sair do mesmo sítio. Ao som dos acordes ritmados e compassados, com um brilho especial para Killing time e Mazes, onde se sentiu uma agitação diferente na sala, respirámos pelas guelras para ouvir repetidamente I can see – e qual dínamo de carga eléctrica ou centrifugadora de baixa rotação ao pé de um In the sun de guitarra persistente e voz bucólica. Ficámos em semi-transe.

A banda que tem no seu ADN os Suicide ou os Silver Apples sacudio-nos com uma performance cósmica mas linear em que cada um na sua estação de embarque tocou para uma ZDB transpirada mas com um sorriso agridoce. Foi muito bom.

Agora para os mais curiosos... a inspiração para a maior parte das músicas de Circles, o ultimo LP da banda, veio do ensaio de Ralph Waldo Emerson de 1848 com o mesmo nome, sob o símbolo e natureza de “the flying Perfect”. Do início do texto transcreve-se “The eye is the first circle; the horizon which it forms is the second; and throughout nature this primary figure is repeated without end.” And so it goes. Rust never sleeps.”

Jibóia – Touareg electrónico

A Jibóia serpenteou pelo palco manifestando todo o seu exotismo da guitarra e a manipulação frenética dos variados pedais… e de repente viajamos para o oriente em classe económica.

A música de Óscar Silva constituída por diversas camadas sonoras lembra-nos o cheiro a especiarias e a cadência de uma dança do ventre numa tenda algures no deserto.

Ana Miró canta e dança com uma frescura oriental o tema Uadjit e a dupla consegue assim evocar algum tipo de imagética mental no ouvinte que resultou num concerto bem-disposto e muito aplaudido.

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