DIÁRIOS DO UMBIGO

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Numa tarde de Domingo fui ao Coconuts, discoteca sobre o mar de Cascais, a mais uma das famosas Festas das Flores, mais conhecidas por Festas do Miguel, figura mítica Lisboeta por ter sido porteiro do Alcântara-Mar e do Lux. Toda a gente lá estava. O ambiente era festivo e sabia-se que havia um DJ convidado surpresa. O mistério permanecia no ar e as pessoas inquiriam-se sobre quem seria. Às 22h lá surgiu o DJ surpresa. Era o Basti dos Tiefschwarz, dupla muito em voga na altura. O público celebrou e aplaudiu a sua subida ao palco. Lá para o meio do DJ set dele, durante uma música que é uma cavalgada incrível, o CD começou a encalhar, quebrando o ritmo e fazendo com que toda a gente se virasse para Basti. Mas ele continuou animado, fazendo sinais gestuais encorajadores para o leitor de CD e dizendo: “It goes! It goes!” E o CD lá foi correndo com a música a soluçar de vez em quando. Quando finalmente mudou para outra música, tirou o CD do leitor e atirou-o ao público. Eu que estava a cerca de vinte metros da cabine, pensei: o CD não vai nem passar perto. Mas para meu espanto, passou por cima das cabeças e braços de toda a gente, voou cerca de trinta metros, deu uma curva à esquerda, voltou um pouco para trás e ZÁS, embateu-me no peito. O Zé da Grooveline que estava ao meu lado disse: “É um sinal! É um sinal! Esse CD estava-te destinado. Veio mesmo ter contigo!” Eu agarrei no CD e li Body & Soul NYC – volume 3. Deve ser um sinal e de peso, pois levei com o François Kevorkian em cima – pensei eu. E ri-me. Muitas pessoas à volta me perguntaram o que tinha o CD que guardei religiosamente no bolso do casaco. Respondi que pelo menos a música que encalhou era boa, o resto não sabia. A faixa que encalhou no set do Basti foi o Groove La' Chord, tema bomba do Iraniano Aril Brikha que cedo emigrou para a Suécia porque o pai estava farto do Xá e a mãe queria deixar de usar burqa.

Na Suécia, Aril Brikha começou a ouvir músicas diferentes das do folclore Iraniano. Atreveu-se a brincar com um Atari, a sequenciar música e, sem querer, fez um tema de Detroit Techno. Mas ele não fazia a menor ideia do que era isso até os amigos lhe mostrarem uns discos do Robert Hood e da Basic Chanel. Tão longe estava da obra conseguida: o fabuloso tema foi lançado em 1998 e, só dois anos depois, quando o Derrick May o começou a tocar, é que o mundo acordou para ele. Foi de inspiração divina, só pode!

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