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O clube lisboeta Lux Frágil, no ano 2000, abriu as portas da pista e ampliou-se até ao cais mesmo ao lado. Emoldurado pelas gruas Poderosa e Vigorosa e um navio de cruzeiros, recebeu em concerto o senhor Ludovic Navarre e a sua Banda. St Germain é o heterónimo que escolheu em honra ao misterioso conde de Saint Germain – tido como místico, alquimista, aventureiro, músico, compositor e, para muitos, a reencarnação de uma série de personalidades importantes desde há muitos séculos até aos dias de hoje; sendo até considerado como o mestre ascenso do sétimo raio que emana a chama violeta.

As pessoas de serviço na portaria do Lux não tiveram mãos a medir, pois a afluência de pessoas foi superior ao esperado. Lá dentro, ao passarmos pela pista, virávamos à direita e estávamos de novo ao ar livre, onde uma multidão entusiasmada esperava ouvir St Germain. No decorrer do concerto, o navio de cruzeiros ancorado ao lado decidiu zarpar. A multidão presente no concerto virou-se para o navio de braços no ar em resposta às inúmeras pessoas que das varandas do navio acenavam, dançavam e rejubilavam. Foi um momento de euforia ao som do sopro de flauta, quase ao jeito do Ian Anderson dos Jethro Tull (uma das minhas bandas favoritas do anos 70). Soava o tema So Flute.

Acabado o concerto, infelizmente, não havia ninguém a tocar música para dançar no Lux, o que deixou em pânico alguns amigos vindos de Viseu e Coimbra de propósito. Estavam cheios de vontade de dançar. Lá fora, só vi a cabeça de uma delas, fora do táxi, acenando e gritando: vai ter ao Indústria. Ainda tentei dizer-lhes que durante a semana estava fechado, mas de nada serviu. Estavam cheios de pressa. Eu ainda por ali fiquei a deambular, com alguns amigos, enquanto ouvia música feita pelos barulhos dos motores dos barcos ancorados lá ao longe.

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