MÚSICA

  • none
  • none
  • none
  • none

Durante três dias e quatro noites, Barcelos voltou a ser o catalisador da boa música, da diversão e da partilha de variados géneros musicais. A forma geométrica que dá cara ao festival, concentra o enigma que leva milhares de melómanos e tribos às margens do rio Cávado. Entre os palcos Taina, Milhões, Vice e a famosa piscina, partilha-se o gosto pela boa música, cruzam-se gostos e influências, e acima de tudo vive-se um excelente ambiente.

No dia 25 de Julho foram dadas as boas vindas ao Milhões no palco Taina (significado: comezaina; petiscada; pândega). O cartaz da noite, que teve direito a entrada livre, foi o cartão de apresentação ideal para um festival transversal, onde todos são bem recebidos. Ao longo do serão, assistimos ao rock visceral e obscuro dos Holocausto Canibal, como em seguida dançámos ao som de Claiana. O projecto emanou ritmos quentes mixados com vocalizações estridentes e assépticas, num híbrido perfeito para fazer mexer as ancas. A noite prolongou-se com DJ sets energéticos e alguns momentos a lembrar os anos anteriores do festival, como uma versão refrescante de Forever Dolphin Love de Connan Mockassin, uma das presenças mais marcantes em Barcelos no ano de 2012.

O segundo dia do festival amanheceu solarengo, o que fez concentrar todas as atenções na piscina e no relvado circundante. O dress code (ou undress code) variou entre o excêntrico e o kitsh tropical, com muitos insufláveis à mistura. A celebrar as boas vibrações, fomos salpicados por batidas vigorosas e acordes energéticos durante toda a tarde.

Já no parque fluvial da cidade, a noite caiu ao som das melodias perfeitas do cantautor de São Francisco, Mikal Cronin, uma feliz descoberta para alguns, ou uma excelente confirmação para outros. Mais tarde, os Black Bombain juntaram-se aos La La La Ressonance para transportarem a audiência em viagens alucinantes e atmosféricas. Um dos momentos mais dançáveis do dia 26, deu-se com os Austra. A teatralidade pop e provocante da banda canadiana contagiou as margens do Cávado com intensas doses de serotonina. Otto Von Shirrac foi uma das grandes surpresas de uma noite que já ia longa. Com um visual de zorro frenético, Shirrac desencadeou uma autêntica odisseia no espaço dançante entre a plateia do palco Vice.

Pela madrugada fora, e para quem as pilhas ainda não tinham atingido o limite mínimo, o mítico Xispes (famoso pelos enormes panados e por acolher os resistentes da noite) foi o dance floor privilegiado para apreciar as primeiras horas da manhã, durante todos os dias dos festival.

No terceiro dia do Milhões, novas viagens cósmicas tiveram lugar. Ao som dos Loosers libertámos o espírito, enquanto que com o rock poderoso dos norte-americanos Eyeategod exorcizámos o corpo. A enérgica dupla catalã ZA! foi incansável a percorrer uma multiplicidade de instrumentos a uma velocidade estonteante. Mais tarde, a electrónica contagiante dos Octa Push elevou a assistência a um momento de diversão pura. A banda, que contou com a participação do convidado Alex dos Youthless, surgiu envergando uns reduzidos fatos de banho, dando um espectáculo sem complexos e a conquistar um dos momentos mais animados da noite.

Chegados ao último dia do festival, todo o cansaço sentido pelo acumular de experiências é anulado pela intensidade expressiva de Alex Zhang Hungtai. O vocalista dos Dirty Beaches transpira uma rebeldia libertadora por todos os poros e, a sua performance hipnótica, deixou a assistência do palco Vice totamente rendida. Algumas horas mais tarde, os Orange Goblin incendiaram o anfiteatro do parque fluvial com uma actuação alucinante e poderosa. A simpatia contagiante da banda, que mantém bem viva a herança de uns Black Sabbath, fez literalmente planar o público.

Um grande destaque vai, ainda, para os inúmeros DJ's e bandas da casa. Barcelos parece ter a fórmula certa para que floresçam projectos como os The Partisan Seed ou os Biarooz, concertos que nos transportaram numa viagem em primeira classe pelas margens do Cávado.

A festa regressa para o ano, mas fica bem presente o reconhecimento à excelência da organização que, mais uma vez, nos presenteou com um cartaz único e visionário. As limitações do corpo impediram-nos de explorar e nomear todos os momentos que o festival ofereceu, mas deixamos Barcelos com a certeza de ter a alma e os ouvidos saciados... obrigado Milhões.

ARTIGOS RELACIONADOS

Música

Newsletter

Subscreva-me para o mantermos actualizado: