DIÁRIOS DO UMBIGO

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Havia um festival nas piscinas da Régua chamado Dance in Douro, em que os convidados seguiam viagem do Porto à Régua numa festa com DJ’s a bordo de um barco com bebidas, comida, muita música, 8h de vinhas verdejantes, sol, subida de duas barragens e amigos. Era talvez a festa mais desejada do ano, até porque o barco levava no máximo 80 pessoas e toda a gente queria ir.

Desembarcávamos no cais da Régua, por volta das 20h, onde nos aguardava um pequeno comboio para nos levar até ao recinto das piscinas. Aí, éramos recebidos pelo Presidente da Câmara e outras proeminências sociais da região com um farto banquete, vários grelhadores, cheiro a carne e muitas bolas e broas nas mesas. Já soavam os primeiros DJ’s no palco principal, a festa continuaria até de manhã.

Numa das cinco vezes que subi o Douro no barco, meia hora depois da partida da Ribeira no Porto, uma amiga minha de Viseu chamou-me a atenção para a linda paisagem circundante e diz-me assim: estás a ver estas vinhas? Eu: sim. Ela: pronto, a partir de agora são sempre iguais! Demos uma risada e lá continuámos a dançar.

Passado algum tempo um dos DJs de serviço no barco, o Serginho, tocou um tema de que eu muito gostava e fiquei surpreso por o ouvir ali. É um tema algo deambulante mas muito bem construído, do álbum Sounds from Another Room (1998) do 16B (Omid Nourizadeh), e vinha mesmo a calhar pois chama-se Water Ride.

Tudo ganhou mais cor naquele momento, a festa empolgou-se e a energia subiu.

Pouco depois vem um amigo meu do Alentejo pôr-me o braço por cima dos ombros e, olhando a paisagem, disse: estás a ver ali aquelas crateras? Eu: quais crateras? Ele: ali em cima! Não parecem mesmo aquelas do Júlio Verne na Viagem ao Centro da Terra? Eu: ahhhh sim, claro! Não estava a ver bem.

Não sei se do sol, se das bebidas à borla, se de alguma iguaria das comidas ou da música, as pessoas estavam a começar a perder o Norte.

Ao atracarmos na Régua, depois do tradicional e emotivo discurso do Blinds (organizador da festa) e lançamento do foguete que anunciava a nossa chegada, uma amiga minha de Aveiro pergunta-me: Onde estamos? Eu muito sorridente respondo-lhe: bem com o barco atracado e toda a gente a sair devemos estar na Régua. É melhor vires junto a mim que a festa continua nas piscinas. Lá fomos pôr os pés de molho na piscina enquanto uns comiam umas folhinhas de alface e outros se banqueteavam com as comidas mais pesadas. Continuámos em festa até aparecerem “gunas” suficientes para nos irmos embora.

A música de que falei foi remasterizada há poucos dias. Será na certa boa de reouvir.

facebook.com/nupidj

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