JOALHARIA

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"(…) Sei apenas que um dia a achara extraordinariamente parecida com o meu desejo de imperar predominantemente-ruivo de esfera de cobre em bráza e dilatada a tal ponto que me pareceu occacionalmente a memoria de me ter mascarado de amante para mim; mas sempre que quizéra recordar definia-se-me sintheticamente em quadrado azul, azul não sei quê." Almada Negreiros

A meu pedido, foi-me entregue em mãos devidamente cuidado por Leonel Ventorim um exemplar de um folheto com 20 páginas, formato ligeiramente maior que o A5. Reli K4 o quadrado AZUL de Almada Negreiros de 1917. Uma história densa, de marqueses à sátira social. Fala de amor, amizade, a verdade das coisas delimitadas por arestas geométricas. A força da expressão plástica das palavras é de tal modo que senti necessidade de homenagear este escritor e artista plástico.

Pensei em K4 o quadrado Azul.

K assume tantos significados quantos os que lhe quisermos atribuir. Provém do grego, símbolo de mão aberta nas línguas semitas, do inglês chave, da tabela periódica dos elementos químicos: potássio mas também significa beijo (k) e ainda kilos e milhares.

Quero pensá-lo apenas como quadrado e o 4 (quatro) enquanto lados e centímetros.

"(...) Quando voltei outra vez havia uma carta registada para mim. Dentro só estava um quadrado azul. Nem um defeito mínimo em qualquer das faces. Apenas a côr caprichava em não se definir e de tal maneira que Eu já duvidava de o ter visto azul." (NEGREIROS,1917)

Em cada página, encontrei palavras-chave e parágrafos que me levaram a fazer associações livres de ideias para experimentar o que poderia ser o quadrado azul.

"(…) Talvez que o azul é que fôsse quadrado mas havia tambem e por toda a parte um só quadrado azul que enchia o quarto todo e sempre com um dos vértices onde Eu fitásse." (NEGREIROS,1917)

A minha ideia de quadrado, multiplicou-se em 24 pins azuis estruturalmente diferentes que se metamorfoseiam ao serem manipulados.

Partem da figura geométrica plana, delimitada por quatro linhas rectas fechadas entre si. São de 4 centímetros e ângulos rectos cuja verticalidade e horizontalidade, estão associadas a estabilidade, permanência e equilíbrio. São neutros, contudo sólidos de madeira feitos à mão.

O utilizador ao usar o quadrado, deverá puxar cuidadosamente a patilha do travão do pin, e fixá-lo ao peito, posicionando-o na melhor posição para o ler e sentir.

Dentro de cada caixa preta, existe um pin que coabita sempre com um poema original do poeta modernista Leonel Ventorim, passo a citar:

Quadrado Azul

Não! Não o quadrado de Malevitch!

Não! Não o azul de Klein!

Sim! Sim! O nosso Quadrado Azul!

Almada Negreiros...Lisboa...1917

Leonel Ventorim

 

Inês Nunes para Portugal Modernista...2013

Onde?

Na loja Portugal Modernista - Mercado de santa Clara, loja 20, São Vicente em Lisboa.

Quando?

Sexta-feira dia 28 de Junho das 18:00h às 21:00h

Contamos com a sua presença!

Breve biografia

Inês Nunes,1979

Procura entender o paradigma da joalharia contemporânea através do seu trabalho que vem a desenvolver desde 1997. Portuguesa, vive e trabalha em Lisboa. Formada em Joalharia Contemporânea (1997-2003), Curso Avançado de Artes Plásticas (2001-2003) no Ar.Co e licenciada em Ciências Psicológicas, no ISPA (2008). É professora de Joalharia do curso diurno (2012) e nocturno (2009) no Ar.Co. Em 2010 aceita o convite para ser Vice-presidente da PIN - Associação Portuguesa de Joalharia Contemporânea e coordenadora do curso nocturno de Joalharia no Ar.Co. A partir de 2007 colabora com a revista Umbigo como conselheira artística na secção de Joalharia. Desde 1998, desenvolve trabalho de autor para clientes particulares, empresas e instituições, expõe em museus, galerias, participa em workshops e palestras a nível nacional e internacional.

Expõe desde 1997 em Portugal, Espanha, Dinamarca, Alemanha, Itália, México, Suíça, Estónia, Bélgica e Brasil.

Representada com o seu trabalho na colecção particular do MUDE - Museu da Moda e do Design em Lisboa e do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual.

inessantosnunes@gmail.com . modernistaportugal@gmail.com

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