DIÁRIOS DO UMBIGO

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Este Código Genético esteve em standby à espera de uma casa nova (aka este fantástico site da Umbigo). Quanto mais tempo passa sobre um texto que ficou a meio, mais difícil é terminá-lo. Surgem novas ideias, as frases são escritas e rescritas várias vezes na nossa cabeça e vamos perdendo o entusiasmo. Apesar disso, insisti neste tema, porque me continua a parecer o melhor para uma inauguração. Para já, em qualquer festa digna desse nome, dança-se. E depois, na minha casa, dançar é um assunto sério.

Agora que já não precisamos de caçar na savana para sobreviver, acredito que dançar é o mais próximo que podemos chegar das nossas raízes ancestrais. Foi uma das poucas coisas que não se perdeu com a evolução da espécie e, mais ainda, permaneceu praticamente inalterada. Como o dragão do Komodo ou os crocodilos. Substituímos os tambores por outros meios de percussão, mas continua a ser tudo uma questão de ritmo. De batida.

A pista de dança é democrática e não tem tabus. Só aqueles que quisermos levar connosco. E o corpo, se o deixarmos falar, não tem nenhum. Com o eco dos graves a bater nas entranhas, as ancas a mexer ao ritmo do groove, olhos fechados e braços em movimento livre, dançamos até a sola dos pés doer e a alma estar limpa.“I left my head and my heart on the dance floor”.

Para além da magia que conseguimos produzir sozinhos na pista de dança (o que é, por si só, uma coisa incrível) há também aqueles momentos raros em que descobrimos o fogo de artifício de dançar com o outro. Não com o decoro asséptico de uma valsa, mas com a sincronia de um tango em free style. Os corpos encaixam, os ritmos batem certo e os elementos misturam-se de forma a produzir algo tão escasso na pista como fora dela: química.

Um amigo meu chamou-me a atenção para um estudo israelita que comparou um grupo de bailarinos profissionais com um grupo de atletas e outro de pessoas “normais” e descobriu que os bailarinos apresentam uma modificação nos genes que comandam a produção e a condução de serotonina e vassopressina no sistema nervoso (entre outras funções, a seretonina e a vassopressina actuam sobre a ansiedade, a depressão e a agressividade). Esta alteração genética é responsável por estes (os bailarinos) demonstrarem capacidades de comunicação mais desenvolvidas e também uma tendência para serem mais espirituais.

O resultado deste estudo leva a duas possíveis conclusões: esta alteração genética é uma característica que nasce connosco e nos torna mais predispostos para dançar (neste caso, a fazer disso a nossa vida) ou é o acto de dançar que produz a alteração genética, tornando-nos pessoas mais felizes e resolvidas.

Como a segunda hipótese me agrada mais, deixo-vos aqui algumas músicas que se cruzaram comigo nas últimas semanas e me fizeram dançar. Na pista, em casa ou dentro da minha cabeça enquanto ando pelas ruas de Lisboa com o mp3 directamente ligado ao cérebro.

É uma selecção esquizofrénica de uma playlist bipolar. Sem grandes novidades, mas com velhos amigos que garantidamente me abanam o corpo e fazem feliz. Groove is in the heart and the rest is bullshit.

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