MÚSICA

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Fotografias: Hugo Lima

Três dias e três noites para celebrar a Primavera.

Dia 1

Entre os dias 30 de Maio e 1 de Junho, todos os caminhos conduziram ao parque da cidade no Porto. Pelo segundo ano consecutivo, o Optimus Primavera Sound voltou a ocupar o espaço ideal para receber um festival urbano, onde o cimento não faz parte do cenário. Durante três dias respirou-se e viveu-se a música junto à foz de Matosinhos.

A meio da tarde de quinta feira, o público começava já a afluir ao recinto, aproveitando os últimos raios de sol. Houve ainda tempo para explorar os novos espaços e ambientes criados, como a relaxante área de baloiços ou as tendas de moda e acessórios. O ambiente era descontraído e multigeracional, a reflectir a variedade de um cartaz composto por formações emblemáticas desde os anos 80 e 90, até nomes emergentes do panorama musical da actualidade. Foram variados os dialectos e línguas ouvidas no recinto, com a península ibérica a liderar a afluência. A oferta cultural e gastronómica que a cidade do Porto oferece, não passou certamente despercebida para quem veio de fora, no recinto era possível desfrutar de um copo de vinho ou provar os petiscos tradicionais da região.

O primeiro momento musical da tarde teve lugar no Palco Super Bock, com o blues poderoso e energético dos Guadalupe Plata, um trio de rapazes da Andaluzia. Seguiram-se os americanos Merchandise, a reflectir sonoridades e influências de nomes também presentes no festival, como os Swans.

O início da noite, que se antevia fresca, foi aquecida pelas melodias dançantes e atmosféricas dos Wild Nothing. No Palco Optimus e passados vinte anos, as Breeders fizeram reviver o aclamado álbum Last Splash. Kim Deal e a sua banda voltaram a provar porque se tornaram numa das bandas femininas mais influentes das últimas décadas, a reproduzir na perfeição todo o registo.

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Dead can Dance

A noite prosseguiu numa viagem pelas paisagens hipnotizantes dos Dead Can Dance. A mítica banda anglo-australiana tocou alguns dos hits que os tornaram conhecidos nos anos 80, bem como temas do mais recente álbum Anastasis. Perto da meia noite, todas as atenções se concentraram em Nick Cave & The Bad Seeds. A performance do emblemático australiano vestido de negro, conquistou e seduziu o público numa orgia contagiante. Em Push the Sky Away, tema com que o concerto encerra, Cave parece realmente empurrar o Parque da Cidade para uma outra dimensão.

Valeu a pena resistir ao frio para assistir à poderosa exibição dos americanos Deerhunter. Bradford Cox é a figura excêntrica que lidera a banda de Atlanta e que conseguiu presentear a audiência com uma das melhores prestações da noite. Destaque ainda para James Blake, que encerrou o Palco Optimus com os seus inconfundíveis dotes vocais, habilmente envolvidos em loops e ritmos electrónicos.

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Deerhunter

No final da noite já se antecipavam as emoções do dia seguinte, esperava-se a celebração dos Blur e o ritual dançante e lascivo de Glass Candy.

Dia 3

O palco Pitchfork parece ter concentrado todas as atenções da noite de Sábado, com uma sequência de actuações explosivas e surpreendentes.

Daughn Gibson, o ex-camionista de voz vigorosa com uma pose a lembrar o 'Boss' Springsteen, provou-nos por que trocou a estrada pela música. No mesmo espaço seguiu-se uma das actuações mais arrebatadoras do festival. As londrinas Savages foram um autêntico furacão a extasiar o público com um acting poderoso e incisivo. A vocalista da banda Jehnny Beth, dominou o palco com uma voz a lembrar os acordes de Siouxie ou a postura alienada de Ian Curtis. Como ouvi alguém dizer no final do concerto; 'fomos atropelados'...e queremos repetir a experiência.

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No palco Optimus, encontravam-se os emblemáticos My Bloody Valentine, com o seu noise ambiental e melancólico a tocarem temas dos primeiros anos da formação, bem como do recente álbum MBV.

De volta ao Pitchfork, foi ainda possível espreitar um pouco da actuação enérgica e interactiva de Dan Deacon, uma figura de voz robusta a fundir referências variadas como o rock ou a electrónica. Já perto das duas da manhã, no Palco ATP, o vocalista de Titus Andronicus dava literalmente o corpo ao manifesto numa exibição punk-rock honesta  e cativante.

Os Headbirds encerraram o palco Optimus com um som dançante a fazer despertar os pés mais cansados. A noite ainda se prolongou com The Magician a animar as hostes com alguns super hits pop actuais ou revivalistas. Alguns, mas bons resistentes, ainda se deslocaram ao Hard Club (espaço after-hours do festival),  para continuar a festa que durou até de manhã.

Fica certamente registado o bom ambiente vivido, a excelência do cartaz e organização, e o carisma de um espaço mágico e inigualável.

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