DIÁRIOS DO UMBIGO

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Um oceano enorme pela frente, lá ao fundo um ponto verde ligeiramente elevado e num ápice, numa casa a ver tecer um gorro. Mudança de escala, mudança nos afectos. De um território mitológico, para um universo extremamente familiar. Os caminhos em terra, a chegada do barco com as mercadorias, a saída do barco para a pesca, a vida nocturna, as campanhas eleitorais, as memórias individuais e colectivas. Ao fim de três horas parece que sempre aí vivi, no Corvo. E, com tristeza parto quando no ecrã vejo a palavra “Fim”. Se me pedissem para resumir o filme de Gonçalo Tocha É na terra Não é na Lua, responderia - Um filme de portas abertas.

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Entre o espírito de familiaridade e alegria na descoberta parto para esse território mitológico que são os Open Days. Em passo largo, de olhar obstinado, até ao número 80 da Rua Augusta – Startup Lisboa (www.startuplisboa.com). À porta, de que nem preciso bater e muito menos empurrar, encontro a melhor anfitriã - Ana Santiago. A Ana do Shortcutz, do blog Código de Santiago, de mil e um ofícios, só não sei é se tece gorros. Energia contagiante, palavra ponderada, abre porta, mostra as empresas de matriz tecnológica e o respectivo trabalho desenvolvido em cada uma delas. Preocupa-se em desconstruir conceitos "empreendedorismo como panaceia para a crise", em realçar a ligação com Lisboa “uma cidade aberta, sedenta de novidade”, em ser inclusiva “todos os dias são Opendays nesta Startup” e alegrar-se com a felicidade alheia “o sucesso das empresas incubadas é o nosso sucesso”. A conversa acaba repentinamente. Não por falta de vontade, mas como se adivinhava a Ana tinha sido requisitada para nova tarefa.

Openday#10 – LxFactory (www.lxfactory.com/PT/openday/openday-10). Não sendo a primeira vez, dedico passagem fugaz pelas bancas de venda de artesanato, bares e lojas. O meu interesse concentra-se em subir as escadas e começar a deslindar o que por lá andam a magicar. As edições O Pato Lógico, um pouco mais à frente o calçado em cortiça da Rutz e a ajudar na luta contra os degraus, o trabalho de Sara-a-Dias. Se fôlego faltasse, as ilustrações fariam rapidamente subir o nível de adrenalina. Por fim, o espaço Balneário, auto-definido “como encontro entre as mais diversas disciplinas e expressões artísticas”.

Já tinha sido assim em Outubro de 2012, no Lisboa Open House (www.lisboaopenhouse.com). A arquitectura das entranhas. Passear pela cobertura do cinema São Jorge, o gabinete e sala de Reuniões da reitoria da Universidade, as assimetrias arquitectónicas e históricas do Hotel Vitória/sede do PCP, o Teatro Thalia e a nudez do revestimento interior. Anseio por repetição e, também por nova edição dos AAA (Abertura de Ateliê de Artistas). E não esquecer que já no próximo Sábado é o dia Dia Internacional dos Museus.

Tão bom chegar a uma porta e do outro lado ouvir: “Faça favor de entrar, força homem!”.

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