FOTOGRAFIA

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Com a sua ousadia, Ruven Afanador destaca-se pela forma como capta o momento e pelo seu classicismo evidente, transformando a fotografia de moda numa explosão de glamour e dramatismo. Na base do seu trabalho estão dois importantes elementos, o conceito e o mistério. É mestre na criação de imagens que nos prendem o olhar pelos ambientes que escolhe, pela direcção de arte que promove, e pela dualidade entre a penumbra e cores contrastantes. A sua linguagem visual é munida de um extravasar de emoções que se traduz numa subtil elegância dotada de uma carga erótica que transparece na película. No seu principal núcleo de ídolos estão Irving Penn, Steven Meisel, Richard Avedon, Nadar e Edward Curtis.

Ruven nasceu na Colômbia, cidade de Bucaramanga, em 1956. Até à sua adolescência viveu rodeado pela natureza, parques, montanhas e idílicos cenários que muito o influenciam na sua arte. Lia bastante, principalmente livros de aventuras, que cultivaram o seu imaginário e curiosidade em viajar na ânsia pelo desconhecido. Aos 14 anos mudou-se para os Estados Unidos para frequentar uma escola em Michigan. Anos depois, optou por estudar arte e foi assim que descobriu a fotografia. Assumiu-a como uma paixão ao primeiro disparo. O dom pelo qual conseguiu transformar a banalidade em magia, ou como o próprio refere «na minha forma de ver as coisas». Após a licenciatura, Afanador passou dois anos em Washington a fazer o que mais gosta: fotografia de moda. Todos ficaram boquiabertos com o seu talento, o que o fez mudar-se para Milão em 1987 para aprofundar os seus conhecimentos técnicos e construir um portfólio. Três anos mais tarde mudou-se para Nova Iorque com um impressionante leque de imagens que desde logo captaram as atenções dos editores de moda. Do seu portfólio começaram a fazer parte revistas como The New York Times Magazine, The New Yorker, Vanity Fair, Citizen K, Rolling Stone, Elle americana e italiana, Marie Claire, bem como as edições francesas, alemãs, espanholas, australianas e japonesas da Vogue. Em 2000 é galardoado com o prémio de Melhor Fotógrafo de Moda do Ano no Trophée de la Mode em Paris. Mas é nos livros que Afanador mostra a sua real essência, através da estética das imagens e carga erótica reflectida nas mesmas. Em 2001 lança o seu primeiro livro Torero, uma colecção de fotografias a preto e branco que retrata diversos toureiros de Espanha, México, Colômbia e Peru. Em 2004 lança Sombra, um livro com uma introdução feita por Jean Paul Gaultier,onde imprime a nudez masculina em poses e gestos que aludem ao ballet clássico e cinco anos mais tarde lança Mil Besos, uma homenagem à dança do flamenco.

Existe muita sexualidade no teu primeiro livro Torero. Como idealizaste este trabalho? São os toureiros heróis?

Adoro touradas e adoro toureiros. Eles são criaturas lindas, são como bailarinos. À excepção de fazerem um duelo das suas vidas à frente de milhares de pessoas. Eles fazem parte da antiga caravana do espectáculo do gladiador. São a perfeita combinação entre beleza e desespero.

O teu outro livro Mil Besos representa uma visão única e arrebatadora das bailarinas de flamenco em Espanha. Estudaste a dança e toda a cultura em redor do flamenco para poderes realizar este trabalho?

Nem por isso, apenas me rendi à ideia de fotografar as bailarinas de flamenco e as suas infindáveis paixões. Da vulgaridade ao medo e ansiedade, para mim o flamenco ilustra a completa visão de uma mulher…

Que trabalho te deu mais prazer desenvolver?

Diria que o foi o livro Mil Besos porque consegue abranger tudo o que me dá um prazer especial na fotografia. Representa a soma de tudo o que eu sempre tentei conduzir através das minhas imagens.

Foi após a primeira imagem que fizeste que descobriste que a fotografia representava o teu dom natural. Como aconteceu?

Foi aquando do meu primeiro trabalho escolar na aula de fotografia… Simplesmente senti que fui feito para fotografar…Foi natural… Confortável… Inspirador…

Tens uma forma especial de ver o que está ao teu redor…

Gosto de comunicar através das imagens que faço… Criei uma linguagem visual ao longo dos anos … É romântica, apaixonada, e inspirada por culturas e história.

Sempre quiseste ser um fotógrafo de moda ou pensaste em explorar a fotografia num espectro mais alargado?

Quando descobri a minha paixão por fotografia, percebi desde logo que a única direcção a seguir seria como fotógrafo de moda. Também faço retratos mais clássicos, etc… mas sempre com uma perspectiva de moda.

Sente-se a paixão no teu trabalho. Dirias que és um homem apaixonado?

Sim, sem dúvida…A paixão é a essência do mundo. É devido a ela que existem edifícios gigantescos e fantásticos filmes. Tudo provém de alguém muito apaixonado, de alguém que não é preguiçoso.

De que forma a tua infância te influencia no teu trabalho?

De todas as formas. A minha infância é a essência de tudo o que me inspira… Seja devido a uma excursão familiar, ou histórias que ouvi enquanto criança.

És conhecido pelo teu fascínio pela alta-costura. Quais são os teus designers favoritos? Agrada-te fotografar designers contemporâneos desconhecidos?

Gosto imenso de muitos designers, desconhecidos e reconhecidos. Agrada-me o estilo continuado que se encontra nos designers já estabelecidos, em contraste com a forma como um novo talento interpreta a mesma ideia ou tendência que existe no momento.

Gostas do rumo que a fotografia de moda está a tomar?

Sim, sempre admirei a fotografia de moda, mesmo durante os seus momentos mais questionáveis. É acima de tudo uma fantasia…

 

 

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