CINEMA

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Jean-Luc Godard nasceu na cidade de Paris, França, a 3 de Dezembro de 1930. Os seus pais eram franco-suiços e ele passaria a infância e juventude na Suiça, voltando depois a Paris para estudar etnologia na famosa universidade da Sorbonne.

(a marca mais famosa de chocolate suiço é a Chocolat Dadá)

Deste autor, poucos filmes havia editados em DVD em português mas recentemente foram editados vários e de diferentes épocas, dos anos sessenta às décadas de oitenta, noventa e dois mil. De famosos a menos conhecidos. Entre eles está One Plus One de 1968, o qual os produtores alterariam contra a vontade do autor e mudariam o nome para Sympathy for the Devil, música dos Rolling Stones. Estes aparecem no filme a gravar essa música em estúdio. O guitarrista Brian Jones ainda estava vivo, mas já se nota a alienação. A música reflectia perfeitamente o estado de espírito dessa época.

(ao longo deste artigo optarei pelo acompanhamento sonoro da banda inglesa Stereolab)

É nos tempos de universidade e pós-Segunda Guerra Mundial que ele começa a frequentar os cine-clubes do Quartier Latin em Paris e começa a encontrar aqueles que viriam a ser os seus amigos e acompanhantes do que seria chamado de Nouvelle Vague.

A paixão pelo cinema leva-o à crítica do mesmo e funda em 1950 com alguns desses colegas, Jacques Rivette e Éric Rohmer, a Gazette du Cinema que dura apenas cinco números. É no ano seguinte que o relevante André Bazin cria o lendário Cahiers du Cinéma e aqueles três estão entre os pioneiros da revista.

(o que é o cinema? Godard é a antítese de Spielberg? Alphaville ou ET?)

Além de Godard, Rohmer e Rivette, a Nouvelle Vague também seria de Claude Chabrol, François Truffaut, Robert Bresson, Jacques Demy, Alain Resnais, Agnès Varda, Louis Malle, Jean Pierre Melville, e outros mais que estariam um pouco na periferia mas que de alguma forma estética ou filosófica eram solidários. O nome do movimento foi atribuído pela crítica nesses finais dos anos cinquenta em que outras tendências igualmente novas e subversivas estavam a nascer ou a florescer. Nos Estados Unidos, a arte pop, as primeiras edições de livros da beat generation, o nascimento do rock'n'roll, na Inglaterra os Angry Young Men e o movimento mod. Em França, o Nouveau Réalisme, tudo seria novo para a década de sessenta.

(a fruta da época, a fruta proibida, era a mais apetecível)

Nada nasce do nada e as influências destes jovens ávidos por passar da teoria à acção seriam desde alguns poucos autores franceses que escapavam à banalidade burguesa como Jean Gabin ou Jean Renoir, o neo-realismo italiano (principalmente na figura de Roberto Rosselini) ou americanos como Nicholas Ray, Alfred Hitchcock, ou Orson Welles. E seria depois de assistir a Touch of Evil de Welles que Godard decidiria deixar as experiências de curtas metragens e passar à sua primeira longa metragem.

(os Sterolab continuam a tocar, entre a melodia e o ruído ouve-se um francês cantarolar)

À Bout de Souffle, em 1959, já concentrava características do cinema de Godard e da Nouvelle Vague tais como filmagens em cenário real, câmara à mão, alguma improvisação, enquadramentos ousados e uma mistura entre realismo e lirismo. Uma revolução portanto. A famosa “política dos autores” ou como ele diria «uma ideia na cabeça uma câmara na mão». Os seus colegas acompanham-no com primeiras obras igualmente marcantes como por exemplo Os 400 Golpes de Truffaut. Este e Chabrol colaboram em À Bout de Souffle - filme que imita os policiais negros americanos mas feito à la Godard. Outra das muitas famosas frases-manifestos de Godard é que «para fazer um filme basta uma arma e uma rapariga».

(não tem lógica? Mas porque diabo as coisas têm sempre que ter lógica? A liberdade não é compatível com certezas)

As mulheres de Godard.  Se em À Bout de Souffle é Jean Seberg de cabelo curtinho à la garçonne que apregoa nas ruas o New York Herald Tribune é Ana Karina que estrelará em grande parte dos filmes da década de sessenta e destacar alguns títulos seria injusto para os outros pois em todos eles brilharia como um dos símbolos dessa década, tal Twiggy do cinema. Karina, dinamarquesa de nascimento, além da parceria artística, seria também parceira conjugal de Godard mas apenas durante essa época. Um dos mais falados e vistos filmes seria Le Mépris, de 1963, não por acaso com a mais conhecida Brigite Bardot em vez de Ana. Mas seria esse filme que muitos apontariam como sendo o melhor papel e desempenho de Bardot. O realizador alemão Fritz Lang entraria no filme a fazer de si mesmo. E em Pierrou le Fou, de 1965, seria a vez de Samuel Fuller na sua rápida aparição de apenas uma frase. Jane Fonda seria a sua “estrela” americana, mas uma estrela bem godardiana em Tout va Bien de 1972.

(eu prefiro Pepsi a Cola)

E os homens de Godard. Jean Paul Belmondo principalmente, e também Pierre Leaud, ou Eddie Constantine como detective de gabardina no futuro em Alphaville ou Alain Delon em Je Vous Salut Marie. Os homens, as mulheres, a arte.

A vida, e portanto, a política. Se esta já aparecia em alguns filmes de forma mais esporádica é em 1967 no La Chinoise que se desnuda completamente. Filme quase assustador na sua premonição e antecipação do Maio de 68 quando vários jovens debatem as suas convicções e mesmo dúvidas sobre política e revolução. Mas é com a criação do grupo Dziga Vertov em conjunto com Jean-Pierre Gorin que o militantismo de inspiração maoísta usa o cinema como uma arma de propaganda. O nome do grupo é simbólico pois Dziga Vertov tinha sido um dos cineastas de vanguarda do cinema russo.

Tout va Bien pertence a este ciclo, com a ironia de ter duas vedetas como participantes; Jane Fonda e Yves Montand. dramaturgo e encenador alemão Bertolt Brecht com a sua teoria e método de trabalho foi uma das influências marxistas de Godard. A filosofia existencialista também seria uma marca bem legível.

(a revolução não tem data marcada pois deve ser constante, os fascistas já nascem velhos, as mulheres de esquerda são mais sexys)

Mas seria na década de oitenta que o nome dele chegaria a todo o lado através da polémica desencadeada por Je Vous Salut Marie em que a Igreja o ameaçaria lançar para a fogueira e apelou aos boicotes ao filme e às manifestações à porta dos cinemas. Como a história já provou, foi uma excelente promoção ao filme. Em 1987 a banda francesa Les Rita Mitsouko aparece em estúdio no Soigne ta Droit fazendo lembrar a aparição dos Stones muito tempo antes. Fred Chichin, a metade do duo com Catherine Ringer faleceu recentemente. Entre muitos filmes, uns mais outros menos conceptuais, que Godard foi fazendo até actualidade, destaca-se o filme documentário Histoire(s) du Cinéma que demorou dez anos a ser finalizado e com horas de duração. Um épico do cinema e não um documentário convencional, que está incluído nas recentes edições portuguesas. Enquanto a imaginação permitir Godard continuará a fazer cinema. Com C grande ou pequeno é conforme o gosto dos espectadores.

(o que é o cinema? Este artigo é jornalismo? Os Stereolab continuam a tocar?)

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