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Dora Maar na Tate Modern, Londres

Dora Maar (1907-1997), artista mais conhecida pela fotografia surrealista, foi esquecida em vida e só após a sua morte foi relembrada e mais amplamente apreciada.

Na retrospetiva dedicada à sua obra que agora podemos apreciar em Londres, na Tate Modern, até 15 de março, temos muita dessa fotografia surrealista que tanto a marcou, mas também algo mais surpreendente a quem não a conheça tão bem – pintura, fotografias de moda e publicidade e fotografias que testemunham a difícil vida que se viveu na Europa nos anos 1930.

No início da exposição, começamos por ver fotografias da própria artista no seu estúdio em Paris, rodeada pelas suas pinturas, técnica por onde começou a sua carreira e para onde se voltou no final desta.

Passamos para retratos de moda, cheios de luz e sombra, e vemos já algumas das fotomontagens que mais tarde iria desenvolver e que a associariam para sempre ao movimento surrealista.

Apesar do não reconhecimento em vida, Dora Maar começa nos anos 1930 a aparecer em exposições ao lado dos grandes nomes do surrealismo, um pouco por todo o mundo. Explora nesta época temas ligados a este movimento, como o sonho, os olhos, o erotismo e o mar. Também alguns objet trouvé (objeto encontrado) podem sem vistos na exposição.

Famosos quadros de Picasso, como Mulher Chorando, ou Busto de Mulher, representam Dora Maar, amante deste artista, naquela que foi por ele considerada a “pior época da [sua] vida”. A exposição de Dora Maar foi inclusiva e tristemente marcada por um ataque e consequentes danos a esta última obra referida, por um jovem vândalo.

Picasso e Dora Maar influenciaram-se mutuamente, tendo Dora Maar ensinado a técnica cliché verre a Picasso que, por conseguinte, a adaptou ao seu estilo cubista. Algo também muito interessante é a documentação e a gravação da pintura de Guernica, um dos quadros mais famosos de Picasso, tanto em vídeo como em fotografia, decorrida no estúdio de Dora Maar, e também patente na exposição.

Quase no final da exposição muitas pinturas de paisagens podem ser vistas. E o mais curioso, e só descoberto após a morte da artista, é que Dora Maar volta à fotografia no final da sua carreira, podendo o visitante observar algumas das fotografias sem câmara ou fotogramas. De novo muita luz e sombra, de novo e sempre a fotografia e a sua transformação em algo invulgar.

Dora Maar. Para ver até 15 de março de 2020, na Tate Modern, em Londres.

Joana Carmo licenciou-se em Línguas, Literaturas e Culturas, tendo em seguida frequentado uma pós-graduação em Mercados de Arte e Colecionismo. Atualmente é técnica superior do Museu Zer0 (museu de arte digital que se encontra em instalação no interior do concelho de Tavira) onde coordena o seu Serviço Educativo e Públicos.

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