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Miami Art Week 2019

Chegámos a dezembro e para o universo da arte contemporânea todos os caminhos vão dar a Miami, nos Estados Unidos. A Art Basel Miami Beach teve a sua primeira edição em 2001 e desde então a esta semana que a comumente denominada Art Basel Week ou Miami Art Week nunca parou de crescer. Os limites transcenderam muito rapidamente o evento da Art Basel Miami Beach para aquilo que é hoje, potencialmente, uma das concentrações mundiais mais significativas, num reduzido espaço temporal, de iniciativas associadas à produção e criação artística contemporânea.

Esta semana, que se caracterizava por três ou quatro dias intensos e que começava na terça ou quarta-feira com as inaugurações e previews dos principais eventos a decorrer no final de semana, tende cada vez mais a estender-se aos dias anteriores, dado o aumento do número de eventos relevantes paralelos à Art Basel, também eles na busca e ratificação de público.

Ao longo dos últimos quase vinte anos, a Art Basel Miami Beach construiu as bases para possibilitar tudo o que hoje acontece durante estes dias em Miami. O mercado apologeticamente capitalista dos Estados Unidos, aproveitou a oportunidade para assegurar esta parceria estratégica que hoje facilita a Miami um extraordinário fluxo económico e cultural de incomparável dimensão a nível mundial.

Só em feiras de arte, que transitam anualmente e para além da Art Basel Miami Beach, podemos contabilizar cerca de 20 mais divididas entre Miami e Miami Beach: Aqua Art Miami, Art Now Fair, Design Miami, Ink Miami, PULSE Miami Beach, Scope Miami Beach, Superfine Miami Beach, Untitled Miami Beach. Em Miami, Art Beat Miami, Art Miami, Context Art Miami, Fridge Art Fair Miami, Miami River Art Fair, NADA Miami, Pinta Miami, Prizm Art Fair, Red Dot Miami e Spectrum Miami. Para além destas, ainda há muitas mais que surgem como pop-up, poucos dias ou semanas antes, e vêm adensar a lista já particularmente congestionada.

A Art Basel, pioneira da “ocupação”, mantém-se no espaço privilegiado do Centro de Congressos de Miami Beach (MBCC), que nos últimos três anos sofreu uma renovação estrutural completa, dotando-o de infraestruturas sem comparação qualitativa em toda a cidade. Este espaço, e a par desta renovação, foi contratualmente assegurado entre a Art Basel e a cidade por um período que ascende a dez anos. A Art Basel ocupa na totalidade de espaço expositivo cerca de 50.000 M2, repartidos pelas diversas secções de exposição: Nova, Positions, Edition, Kabinett, Survey e Magazines, assim como a zona para Conversas (Conversations Sector). Adicionalmente, este ano inaugura-se ainda o sector Meridians, na zona norte do Centro de Congressos, o Grand Ballroom, um espaço destinado unicamente a projetos de grande escala. A edição deste ano tem a curadoria de Magalí Arriola, que foi recentemente nomeada diretora do Museo Tamayo na Cidade do México e que, aquando da sua seleção, manifestou em declarações públicas o seu entusiasmo no projeto: “Estou muito entusiasmado por colocar em marcha este projeto. O Meridians traz inúmeras oportunidades à Art Basel Miami Beach, ao criar uma plataforma dinâmica para esculturas de grande escala, instalações e projetos de imagem em movimento, bem como performances – que até agora ainda não tinha um espaço na feira” (Fonte Art Basel – Sutton London).

Noah Horowitz, diretor para as Américas da Art Basel, salienta na sequência dos trabalhos e investimentos dos últimos dois anos, que: “A escala imensa do Grand Ballroom e a sua proximidade imediata ao piso expositivo dá-nos oportunidades sem precedentes para mostrar projetos artísticos ambiciosos que vão para lá dos limites convencionais da feira. Para além do novo plano e da arquitetura do espaço que introduzimos nos últimos dois anos – como resultado de uma renovação completa do MBCC – esta iniciativa promove um novo capítulo para a Art Basel em Miami Beach” (Fonte Art Basel – Sutton London).

Espera-se este ano que o número de visitantes da Art Basel, em todos os sectores, ascenda aos 90.000, ultrapassando os cerca de 80.000 registados em 2018. Numa lógica que tem sido característica desta organização, a exposição vai dar particular relevo a galerias e artistas das Américas de onde são oriundos mais de 50% dos expositores. Adicionalmente, e em conformidade curatorial com o posicionamento geográfico, a Art Basel Miami Beach prolonga este ano para Miami o projeto que iniciou em 2017 da Art Basel Cities, em Buenos Aires, com uma apresentação de obras de arte pública no Collins Park intitulada Disruptions. Esta exposição apresenta seis obras de grande escala e conta com a participação de um grupo intergeracional de artistas argentinos: Matías Duville, Graciela Hasper, Marie Orensanz, Pablo Reinoso, Marcela Sinclair e Agustina Woodgate.

Paralelamente aos destaques supracitados, há ainda em Miami, durante esta semana, outros pontos de interesse também eles exclusivos à cidade como são o caso das coleções privadas de arte contemporânea De La Cruz Collection, The Margulies Collection, ou ainda Juan Carlos Maldonado Art Collection. Todas estas coleções, que abrem excecionalmente ao público em Dezembro, estabelecem parcerias de difusão com a Art Basel e outras feiras de arte como a Untitled ou a Pulse, fazendo com que também elas apresentem um notável número de visitantes.

Recentemente em declarações, Noah Horowitz partilhou outros destaques de 2019 a acontecer em Miami no bairro de Allapattah, sendo estes o novíssimo Rubell Museum, edifício desenhado por Annabelle Selldorf, que inaugura com um extraordinário conjunto de obras da Rubell Family Collection, e ainda o Espacio 23, um novo espaço de arte contemporânea fundado pelo colecionador e filantropista Jorge M. Pérez. Das diversas parcerias institucionais que a Art Basel estabeleceu ao longo dos anos, Horowitz realçou ainda exposições nos museus locais como são exemplos, Sterling Ruby and Wong Ping no ICA (Institute of Contemporary Art) Miami, Haegue Yang and Mickalene Thomas no The Bass, ou a provocadora coletiva Where the Oceans Meet no MDC Museum of Art and Design.

Muitas outras organizações ou marcas que ou já tinham representação local ou voam e se instalam temporariamente na zona, têm a ambição de conquistar um segmento da atenção e investimentos direcionados para Miami durante estes dias. Alguns eventos de destaque são os organizados pela MANA Contemporary que para além de acolher no seu espaço em Wynwood algumas das feiras já mencionadas (Pinta Miami, Red Dot Miami ou Spectrum Miami) também realiza em parceria outros acontecimentos e exposições no centro de Miami como são exemplo os Open Studios (programming and after-parties), All Dressed Up storefront exhibition ou We Buy Gold uma exposição pelo coletivo Good to Know, Como exemplo de Fundações/Marcas que implementam projetos temporários, a Audemars Piguet destaca-se com uma estrutura provisória, onde apresenta a instalação sonora The Art of Listening: Under Water, da artista norueguesa Jana Winderen. A cidade de Miami Beach (City of Miami Beach) não podia deixar de denotar a sua participação e este ano inaugura uma monumental instalação pública no areal em frente à Lincoln Road do artista argentino Leandro Erlich, intitulada Order of Importance. Há ainda hotéis históricos de Miami que também querem deixar a sua marca nesta intensa semana de arte, e dois exemplos de destaque são o Raleigh Hotel, que fez uma recente renovação dos seus jardins onde irá apresentar a até à data mais extensiva exposição pública do trabalho dos artistas Claude Lalanne (1924-2019) e François-Xavier Lalanne (1927-2008), duo conhecido como Les Lalanne. Outro exemplo é o hotel de luxo Faena, que formou recentemente uma organização sem fins lucrativos Faena Art que acolhe desde 2018 o Faena Festival. Em 2018 este festival apresentou uma série de obras públicas na Faena Beach que se revelou uma extraordinária surpresa em a primeira edição explorou a ideia da América como conceito e se intitulava This Is Not America. Este ano o Faena Festival conta com a participação de cerca de vinte e cinco artistas que realizaram a convite da organização obras de performance, vídeo e instalação à volta da temática da Última Ceia, The Last Supper (título da edição de 2019).

A semana de arte de Miami é hoje uma paragem obrigatória para qualquer aficionado de arte contemporânea, e como referiu recentemente Marc Spiegler à Umbigo, a Art Basel Miami Beach hoje, é um evento cultural que transcende o mercado da arte, abrangendo na generalidade todo o espectro das classes e grupos criativos.

Sérgio Parreira (Évora/Portugal) – Atualmente vive e trabalha em Nova Iorque. É licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, e mais recentemente completou um Mestrado em Nova Iorque em Estudos de Mercado da Arte. No último ano tem colaborado enquanto curador independente com diversos artistas nos EUA. No decorrer dos últimos 15 anos em Portugal fez a curadoria e assistência de produção de inúmeras exposições de artes visuais (Isaac Julian, Miguel Palma, William Kentridge, Gary Hill, Mariko Mori, Rui Horta Pereira, Antoni Muntadas, Sharon Lockhart, Rigo 23, Marcel.li Antunez, Vasco Araújo, Pedro Valdez Cardoso, Ana Perez Quiroga, entre muitos outros), e produziu diversos projetos de diferentes espectros artísticos, da dança ao teatro, performance e música, para inúmeras organizações (ZDB, RE.AL, Temps D'Images, Duplacena, FUSO, Vagar, Horta Seca Associação, entre outras).

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