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Entrevista aos diretores do Lisbon Art Weekend

A Revista Umbigo conversou com Marc Kean Paker e Merve Pakyürek, coordenadores do Lisbon Art Weekend.

Com 22 espaços e 19 galerias participantes, o Lisbon Art Weekend não está apenas na sua primeira edição, mas é também o primeiro evento deste género em Lisboa. Marc Kean Paker e Merve Pakyürek discutem as suas motivações e intenções para este fim de semana, ao mesmo tempo em que apresentam as suas ideias gerais sobre a cidade, a sua cena artística e o “gallery weekend” como formato de exposição.

Myles Francis Browne – Lisboa está a desfrutar de uma espécie de renascimento cultural. Parece haver mais artistas nacionais e internacionais em exposição e também mais espaços expositivos na cidade. Por que razão escolheram Lisboa para este “gallery weekend”?

Marc Kean Paker & Merve Pakyürek – Na verdade, a razão é bastante inocente. Visitámos Gallery Weekends e feiras de arte contemporânea por toda a Europa e tentámos descobrir um Gallery Weekend em Lisboa ou qualquer evento semelhante dedicado à arte contemporânea, com o objetivo de apoiá-lo. Mas esse evento não existia, havia esse vazio no desenvolvimento da cena local. Achámos que esse formato encaixaria muito bem na cidade, na sua crescente cena contemporânea.

Como fundadores do evento, ambos pertencentes ao campo da arte contemporânea, sentimo-nos entusiasmados por dar o nosso contributo. E, se no início tentámos desenvolver um Gallery Weekend, alterámos essa abordagem para um formato mais inclusivo, mudando a terminologia e a estrutura para um Art Weekend.

MFB – Qual será o formato em Lisboa?

MKP & MP – O formato em Lisboa será muito semelhante aos demais Gallery Weekends no mundo. Mas, como já mencionado, o evento será mais inclusivo, pois um Art Weekend acolhe também espaços artísticos sem fins lucrativos.

Será um evento de três dias. A primeira edição acontecerá a 15, 16 e 17 de novembro. E, durante esses dias, os espaços participantes receberão pelo menos um evento, mantendo as suas portas abertas para que o público possa experienciar as exposições, as obras e os temas abordados.

Iremos organizar um cocktail de abertura na sexta-feira à noite e um painel de curtas palestras no domingo. O resto do programa é inteiramente dedicado aos participantes. Queremos que participem também em visitas guiadas públicas e privadas.

Para esta edição, decidimos limitar o nosso programa paralelo somente ao cocktail, ao painel de palestras e às visitas guiadas privadas e públicas. Nas próximas edições, gostaríamos de acrescentar um circuito especial para apresentações e, se possível, fazer apresentações artísticas em vídeo ao ar livre.

MFB – Quantas galerias vão participar e apresentar projetos de arte especiais?

MKP & MP – São dezanove participantes, em vinte e dois locais, se tivermos em conta os quatro espaços das Galerias Municipais. Cada participante é anfitrião de um evento especial.

MFB – O Lisbon Art Weekend implementou um comité de seleção, cujos membros têm diferentes experiências e perspetivas. O que foi importante na constituição do Art Weekend, e como decorreu o processo de seleção?

MKP & MP – Foi muito importante termos um comité para selecionar os participantes. Queríamos que a seleção fosse corretamente executada, sem ser tendenciosa. Os membros do comité foram criteriosamente escolhidos, entre eles profissionais que conhecem a cena artística local. Carolina Pimenta é uma artista plástica a residir em Lisboa, Adelaide Ginga é curadora sénior do MNAC, Carlos Durán é diretor das galerias Senda e Espai2Nou2 e codirector fundador da LOOP, entre outras, Deborah Harris é a antiga diretora-adjunta do Armory Show, a viver em Lisboa, e Luiza Teixeira de Freitas é uma importante curadora em Lisboa, que tem organizado coleções privadas. Em conjunto, compuseram um comité de seleção diversificado, capaz de fazer uma escolha objetiva e experiente.

Em relação ao processo de seleção, alguns dos participantes foram escolhidos através de um concurso público. Submetemos os candidatos do concurso público à comissão de seleção. Individualmente, os membros determinaram vários patamares através de uma série de critérios, com alguma margem para comentarem as diferenças qualitativas dos candidatos. Quando todos os membros do comité fizeram as suas notas, agregámo-los e incluímos um número limitado de participantes, que mostraram estar acima de um certo patamar.

MFB – Quais são as qualidades que definem a cena artística lisboeta, em comparação com outras cidades europeias?

MKP & MP – Como mencionou, a cena artística lisboeta está a passar por uma espécie de renascimento, por vários fatores.

O fato de a cena ter ainda uma componente humana, em comparação com outras cidades europeias, é bastante vantajoso, pois permite uma maior praticabilidade, em especial do ponto de vista coordenativo. Esta é uma das principais razões pelas quais insistimos em ser mais inclusivos com um Art Weekend, em detrimento de um Gallery Weekend mais restritivo. Queremos preservar, em certa medida, a autenticidade da cena artística, promovendo-a e estimulando o seu desenvolvimento. Sentimos que o formato do Lisbon Art Weekend poderia contribuir para isso, até mesmo em edições futuras.

MFB – Londres e Paris têm cenas artísticas bastante comerciais, com galerias monolíticas como a Phillips e a Gagosian. Sente que a ausência destas entidades comerciais torna a cena aqui em Lisboa mais disruptiva? Mais liberta?

MKP & MP – Esse é o cerne da questão. A ausência de mega galerias em Lisboa, ao invés de criar um vazio, alimenta um enorme potencial, que por vezes é obstruído por essas mesmas entidades. De momento, sim, é libertador. Mas, se uma entidade dessas surgisse na cena lisboeta, poderia ter um efeito bastante positivo na restante área, tanto a nível promocional, como no que diz respeito ao reconhecimento internacional. Contudo, tendo em conta a realidade atual, um dos nossos objetivos é contribuir humildemente para o desenvolvimento da cena artística lisboeta, de todos os seus aspetos disruptivos, autênticos e naturais.

MFB – Que Gallery Weekends vos inspiraram para criarem o Lisbon Art Weekend?

MKP & MP – Não diríamos que o Lisbon Art Weekend seja parecido a qualquer outro evento desse género. Em primeiro lugar, uma das principais diferenças é que se trata de um projeto sem fins lucrativos. Por isso, não pedimos uma remuneração aos participantes, ao contrário da maioria dos Gallery e Art Weekends. Em muitos aspetos, sentimos que a postura do evento está mais próxima da Nuit Blanche de Paris, um evento dedicado à cultura, em que os espaços participantes estão abertos durante toda a noite. Situa-la-íamos algures entre este conceito da Nuite Blance e os Gallery Weekends de Berlim ou Madrid, por exemplo, que são muito bem executados. O objetivo é proporcionar uma experiência interessante, tanto para os visitantes casuais, que querem conhecer mais sobre a cena, como para os profissionais de arte de Lisboa e do estrangeiro, que querem visitar e potencialmente colaborar entre si. Obviamente, de momento, o alcance é muito menor do que esses três eventos. É mais humano e, espera-se, mais confortável para quem o vivencia.

MFB – Quais são as galerias ou artistas que mais vos entusiasmam neste Art Weekend?

MKP & MP – Sentimo-nos honrados com a presença de todos aqueles que fazem parte do Art Weekend. Cada um contribui para a autenticidade do evento. Os projetos sugeridos pelas galerias e pelos espaços expositivos são todos entusiasmantes. Poderemos presenciar várias aberturas, cocktails e brunches, visitas guiadas às exposições pelos próprios artistas ou curadores, e performances concebidas para esta ocasião. Cada participante tem pelo menos um evento, que está agendado durante os três dias do Art Weekend, e estamos ansiosos por partilhá-los convosco.

O Lisbon Art Weekend decorre de 15 a 17 de novembro.

Myles Francis Browne é jornalista e escritor de arte. Original de Londres, vive agora em Lisboa. Já trabalhou para publicações como Nicotina, TANK e Vogue Portugal. Atualmente escreve para a Umbigo Magazine.

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