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“Lisboa sem Centro”, a visitar no Open House Lisboa a 21 e 22 de setembro

O Open House Lisboa tem-nos oferecido, ano após ano, a possibilidade de visitar edifícios icónicos e menos conhecidos, entrar em espaços muitas vezes inacessíveis ao público, conhecer a cidade de Lisboa sobre perspetivas que merecem reflexão de todos. É por excelência o momento em que a arquitetura é celebrada e comentada por todos.

Para comissariar a edição de 2019, a Trienal de Arquitetura de Lisboa convidou a arquiteta Patrícia Robalo a desafiar-nos a olhar a capital sobre uma nova perspetiva. E se depois de várias edições pode parecer difícil não repetir percursos, é arrojado o novo roteiro, abordando temas emergentes no atual debate público sobre a transformação de Lisboa — habitação, espaço público, mobilidade, património, segregações, através de uma proposta que exclui o centro da cidade, onde segundo a sua autora, para se “superar a exemplaridade da cidade tradicional como construção única da condição urbana”

No fim de semana de 21 e 22 de setembro as portas estão abertas em 50 espaços, 27 estreias, num programa que pode consultar aqui e delinear o seu percurso. Num questionar dos limites da Lisboa atual, a comissária fala que as respostas são múltiplas e que lhe pareceu importante permitir-nos pensar a cidade a partir de eixos urbanos como o que a segunda circular define, por exemplo, chamando-nos a retirar o foco num centro histórico tantas vezes estudado. Para tal, a organização anuncia que “vai ser possível imaginar a urbanidade através de espaços inéditos no evento, como o Convento de São Domingos, a Escola Superior de Música ou o edifício da GS1 Portugal — por norma inacessíveis, mas reveladores da multiplicidade de localizações, enquadramentos urbanos, dimensões espaciais, tectónicas e programáticas dos espaços por que Lisboa é composta.”

 

Falar de Lisboa sem centro é também questionar a mobilidade e as conectividades da cidade e, por isso “a inclusão da ​Rede de Metro,​ do Mercado de Arroios, da ​Feira do Relógio, da Rede de Artes e Ofícios de Lisboa ou a presença das informações de ciclovia no mapa ​mostram não só a valorização do projeto e o espaço construído das estações, galerias e oficinas, mas igualmente a interligação, o funcionamento, a conceção e a vivência conjunta em rede.”

Com um programa educativo que abraça atividades especificas para juniores, seniores, cegos e portadores de baixa visão, as propostas são múltiplas e a possibilidade de se realizarem percursos inéditos de bicicleta, skate ou trotinete, afirma-se a democratização deste evento.

Lisboa merece ser visitada, estudada, vivida de forma mais consciente e participativa. O Open House Lisboa é uma boa plataforma para promover o seu entendimento.

Fabrícia Valente é formada em Arquitetura pela Universidade de Évora (pré-Bolonha) e tem formação em áreas complementares como o vídeo, a fotografia e a produção de exposições temporárias. Desenvolve a sua atividade entre a Curadoria (ex: Pavilhão KAIROS), a Crítica (é editora da secção online de Arquitetura da Umbigo Magazine e faz parte da redação do J-A) e a Mediação Cultural (Museu Coleção Berardo e MAAT), já tendo trabalhado em mais de 90 exposições. Colabora com diversas entidades na procura da multidisciplinariedade entre a Arquitetura, as Artes Plásticas e a Música, áreas onde está a desenvolver trabalhos de investigação.

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