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Wild at Heart

As peças de Anna-Karin Karlsson não são para os fracos de coração, mas sim para “corações que dançam”. Put on heart shaped sunglasses ‘cause we gonna take a ride, já dizia a Lana del Rey. Uma viagem de metro de duas paragens ou o tempo de um café curto e dois dedos de conversa com a designer sueca – rainha dos óculos de sol de todas as formas e feitios – a propósito do lançamento da sua primeira coleção de joias, lançada em exclusivo em Portugal pela Olhar de Prata.

 

Filipa Penteado – Para quebrar o gelo: “mais é mais e menos é chato”. Concorda com esta máxima de Iris Apfel?

Anna-Karin Karlsson – Sem dúvida! Vou ter muito tempo para fazer menos coisas quando estiver morta. Enquanto por cá andar, tentarei criar coisas extraordinárias para me manter longe das dificuldades da vida.

FP – Fale-nos um pouco sobre o seu passado e o que a fez criar óculos e joalharia. Li que é fascinada por acessórios desde criança.

AKK – Mergulhei no design de óculos por acaso, depois de deixar a representação e a escola de arte. Sempre gostei de moda, mas senti que era algo demasiado superficial enquanto profissão. Contudo, quando fiz essa mudança, fui calorosamente acolhida no mundo da moda como uma criança há muito perdida.

FP – A transição dos óculos para as joias foi difícil? Que abordagem adotou nesta coleção?

AKK – Não fiz uma transição, mas sim uma extensão. Quero que os meus acessórios contem uma história poética e, neste caso, a história da joalheria anda de mãos dadas com a história dos óculos. Uma história coesa de uma vida pouco habitual.

FP – Quem imagina a usar as suas peças? É preciso um tipo especial de mulher, capaz de sustentar a natureza esmagadora das suas peças.

AKK – Designo-as como pessoas com corações dançantes. Pessoas que podem simplesmente querer algo extra nas suas vidas. Uma espécie de distração luminosa perante a realidade, com a qual me sinto tão pouco à vontade.

FP – Planeia expandir a sua linha de acessórios? Sapatos, malas? O que podemos esperar no futuro?

AKK – Neste momento, não faço ideia, mas seria ótimo ter uma coleção de óculos de sol e de malas.

Colaboradora da Umbigo desde 2000 e troca o passo, a relação tem sobrevivido a várias ausências e atrasos. É formada em Design de Moda, mas as imagens só (lhe) fazem sentido se forem cosidas com palavras. Faz produção para não enferrujar a faceta de control freak, dança como forma de respiração e vê filmes de terror para nunca perder de vista os seus demónios. Sempre que lhe pedem uma biografia, diz uns quantos palavrões e depois lembra-se deste poema do Al Berto, sem nunca ter a certeza se realmente o põe em prática ou se é um eterno objectivo de vida: "mas gosto da noite e do riso de cinzas. gosto do deserto, e do acaso da vida. gosto dos enganos, da sorte e dos encontros inesperados. pernoito quase sempre no lado sagrado do meu coração, ou onde o medo tem a precaridade doutro corpo"

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