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As Aventuras de Qualquer Coisa

As Aventuras de Qualquer Coisa é o último livro do ilustrador André Ruivo, com lançamento previsto para o início de novembro.

O ilustrador gosta de livros, e este Aventuras, em formato A6, de bolso, constitui uma celebração da cor.

Fundos de cores vivas contrastam com as paletas ricas das personagens, que, sozinhas, ou em diálogo com gatos, ou outras personagens, vão vagueando pela cidade, fumegando dialetos incompreensíveis, ou diluindo-se na paisagem, segundo conversas mudas, discursos que se repetem, e elaboradas congeminações.

Para o ilustrador as personagens deste livro transportam pequenas falas, “pensamentos conclusão”, que vão surgindo, à medida que deambulam pela cidade”.

Seja como for As Aventuras de Qualquer Coisa relembra-nos uma tendência atual da ilustração para compreender e agregar a complexidade do mundo, permitindo a vulnerabilidade e singularidade das personagens. As suas incertezas, imperfeições e acasos.

Ruivo opera, com os seus desenhos, dentro do que, no temperamento humano, é compreendido pelo múltiplo e o diverso. Evidencia assim a natureza humana, sem excluir, ou ignorar, as suas várias tonalidades, sejam elas mais claras ou mais negras.

Também, no domínio da operacionalidade, problematiza a dimensão subjetiva da ilustração, que, na sua visão mais ampla, desafia ou acrescenta algo ao trabalho do designer gráfico, assim como, em simultâneo, o designer gráfico acrescenta coerência ao trabalho do ilustrador. Muito visível neste livro, mas ainda mais no seu anterior Retratos.

Na ilustração há espaço para a indefinição, e abertura para uma poética expressiva, experimental e individual.

A cor, no pequeno livro de André Ruivo, amplifica-se, e conduz-nos a uma reflexão sobre os fenómenos percetivos. Por assim dizer, leva-nos ao “entendimento entre a possibilidade das coisas”, e a sua “efetividade”. Os esquimós, como sabemos, conseguem distinguir, pelo menos sete brancos; e o livro das Aventuras de Qualquer Coisa revela-nos um espectro rico de cores, entre verdes, azuis, vermelhos; num jogo intenso de contrastes, e numa perspetiva da cor como relação com as outras cores. Desvendando por isso a dimensão cultural do saber ver. A cor é cultura, e nos desenhos de André Ruivo, a mesma, resulta numa reverberação psicadélica.

(Lançamento no dia 10 de novembro, na Galeria Monumental, com edição da Stolen Books e paginação de Ideias com Peso)

Carla Carbone nasceu em Lisboa, 1971. Estudou Desenho no Ar.co e Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Completou o Mestrado em Ensino das Artes Visuais. Escreve sobre Design desde 1999, primeiro no Semanário O Independente, depois em edições como o Anuário de Design, revista arq.a, DIF, Parq. Algumas participações em edições como a FRAME, Diário Digital, Wrongwrong, e na coleção de designers portugueses, editada pelo jornal Público. Colaborou com ilustrações para o Fanzine Flanzine e revista Gerador. (fotografia: Eurico Lino Vale)

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