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O terror fala português na 12ª edição do MOTELX

Começa hoje a 12ª edição do MOTELX. Até domingo, dia 9 de Setembro, o festival irá tomar conta do Cinema S. Jorge, da Cinemateca Júnior e da esplanada da Cinemateca, para mais uma maratona de filmes de terror e género. Sejam bem-vindos ao MOTELX. O último a entrar apaga a luz.

 

Terrorês

Este é o ano do cinema português no MOTELX. Nas palavras da organização do festival “é o culminar de uma década de incentivo à produção deste género em Portugal”. Para além da habitual competição de curtas-metragens e da secção Quarto Perdido, ambas dedicadas ao cinema que se faz por cá, este ano há também, pela primeira vez, dois filmes portugueses na competição de longas-metragens europeias: Inner Ghosts, de Paulo Leite, e Mutant Blast, de Fernando Alle. O primeiro move-se no mundo dos fantasmas e do contacto com “o outro lado” através da ciência; o segundo é uma incursão pelos apocalipses zombies, tendo como protagonista uma espécie de Sarah Connor meets o Exterminador.

A língua portuguesa é transversal também ao júri desta competição, mesmo que apareça com o sotaque sueco de Solveig Nordlund. A realizadora é um dos membros do júri e também a homenageada do Quarto Perdido deste ano. Há mais de 20 anos no nosso país, Nordlund já ultrapassou o estatuto de portuguesa honorária. Trabalhou com realizadores como João César Monteiro, Manoel de Oliveira, João Botelho e José Fonseca e Costa, mas o seu trabalho em nome próprio tem uma identidade que passa pelo reino do fantástico e da ficção-científica, especialmente com adaptações de obras do escritor J.G. Ballard. No MOTELX, vamos poder ver dois dos seus filmes: A Filha e Aparelho Voador a Baixa Altitude.

Aparentemente menos dura do que a Maria de Mutant Blast, mas nem por isso menos eficaz a matar zombies é Anna, a protagonista adolescente do musical (sim, leram bem) britânico Anna and the Apocalypse, outro dos destaques desta competição de longas-metragens europeias.

 

Quarto com vista para o mundo

O grosso da programação do MOTELX passa pela secção Serviço de Quarto. Aqui há filmes de várias cinematografias mundiais, da América Latina à Austrália, passando pelos EUA, mostrando que a expiação e a confrontação dos medos através do cinema é uma necessidade transversal a várias culturas.

Da Argentina chega-nos Terrified, um desfilar de fenómenos paranormais num bairro de Buenos Aires, cuja imagem de promoção nos faz lembrar os habitantes das cavernas do britânico The Descent. Diz a organização do festival que Terrified promete fazer jus ao seu nome.

O MOTELX (e nós também) tem um carinho especial pelo cinema de terror e género australiano. Este ano, está representado por Brother’s Nest, uma história de disputas familiares com o sentido de humor retorcido que caracteriza a cinematografia “down under”, e também pela presença de Leigh Whannell, o realizador responsável pelas sagas Saw e Insidious. Teremos a oportunidade de ver o seu novo filme, Upgrade, assim como a terceira parte de Insidious. Em paralelo, foi pedido a Whannell (que também irá dar uma masterclass) que escolhesse um filme australiano que o tivesse influenciado. Nasce assim a sessão em que vai ser exibido o clássico apocalíptico Mad Max.

Os Estados Unidos e a França continuam a ser duas grandes fontes de cinema de terror e este Serviço de Quarto assim o prova. Destacamos os filmes que se anunciam como experiências mais intensas na sala de cinema: Mandy, de Panos Cosmatos e Ghostland, de Pascal Laugier.

O primeiro é protagonizado por Nicolas Cage e o seu tom de vingança abafada pelas montanhas da Califórnia tem criado expectativas de uma violência acima da média. O segundo é uma história de terror e loucura no feminino que leva Pascal Laugier de volta a um universo semelhante ao de Martyrs, um dos filmes mais marcantes exibidos ao longo da história do MOTELX.

 

Mary Shelly’s Frankenstein

Este ano celebra-se também o bicentenário do lançamento do romance de Mary Shelly, Frankenstein. O MOTELX junta-se à homenagem com uma programação que irá ultrapassar os 6 dias do festival, ocupando durante todo o mês de Setembro a esplanada da Cinemateca e a Cinemateca Júnior.

Para ver ao ar livre, teremos várias adaptações da história de Shelly, desde os clássicos Frankenstein e The Curse of Frankenstein (protagonizados por Boris Karloff e Christopher Lee) até ao maravilhoso Gods & Monsters, o biopic sobre James Whale, um dos realizadores que ajudou a imortalizar o monstro de Shelly no cinema. Todos os filmes serão exibidos em 35mm.

Para os mais pequenos temos a secção Lobo Mau, recheada de actividades que se dividem entre a Cinemateca Júnior e as comemorações do bicentenário de Frankenstein, o Museu Berardo e o espaço Bússola. Destacamos o atelier de cozinha Rub-a-Duckie, no qual as crianças irão aprender a transformar bolachas e cupcakes em monstros e outros “bichos” sobrenaturais. A responsável pela oficina é Ângela Pereira, a autora das iguarias sangrentas (e comestíveis) que todos os anos nos dão as boas-vindas no MOTELX.

Chegamos ao fim já quase sem fôlego, mas ainda há tanto para ver que não cabe neste texto. Podem consultar a programação completa aqui  e ver alguns trailers aqui.

Colaboradora da Umbigo desde 2000 e troca o passo, a relação tem sobrevivido a várias ausências e atrasos. É formada em Design de Moda, mas as imagens só (lhe) fazem sentido se forem cosidas com palavras. Faz produção para não enferrujar a faceta de control freak, dança como forma de respiração e vê filmes de terror para nunca perder de vista os seus demónios. Sempre que lhe pedem uma biografia, diz uns quantos palavrões e depois lembra-se deste poema do Al Berto, sem nunca ter a certeza se realmente o põe em prática ou se é um eterno objectivo de vida: "mas gosto da noite e do riso de cinzas. gosto do deserto, e do acaso da vida. gosto dos enganos, da sorte e dos encontros inesperados. pernoito quase sempre no lado sagrado do meu coração, ou onde o medo tem a precaridade doutro corpo"

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