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Sari Liimatta: uma poética da figuração

Sari Liimatta é uma artista finlandesa que vive e trabalha em Lappeenranta.

Licenciou-se em Design de joalharia e de pedras no Politécnico de Carelia do Sul, tendo tido um ano de intercâmbio de estudos na Academia Gerrit Rietveld, em Amsterdão.

O seu talento criativo foi reconhecido em 2005 com o prémio jovem artista do Conselho de Artes do Sudoeste da Finlândia. Recebeu prémios como o Arts & Crafts Design, em 2015, o Jovens Artistas do Arts Council também do Sudoeste da Finlândia, em 2001, bem como o do concurso design de joalharia com âmbar, sendo este o segundo prémio atribuído em Gdansk, na Polónia. Expõe regularmente por variados países, seja em mostras individuais, seja noutras colectivas.

Esta artista propõe-nos um trabalho maioritariamente figurativo. Cria peças portáteis de bastante grandes dimensões, que funcionam como pequenas esculturas, portanto. Representa com frequência animais como, por exemplo, touros, veados, coelhos, camelos, entre outros seres do reino animal, procurando interpretar simbolismos e crenças culturais que cada um possa conter localmente. Trata-se de uma obra colorida em que figuram vidros, pedras e pérolas, os quais revestem e ornamentam o exterior de cada peça. Observa que certos animais foram posicionados em culturas já antigas. Ainda hoje poderemos lembrar aspectos dos nossos ambientes quotidianos. Ao mundo animal que representa, acresce materiais industriais.

O vidro, que tão frequentemente usa, aparenta ser um material frio. No entanto, precisa de enorme quantidade de calor ao longo do processo de fabricação de cada peça. Necessita de ser tratado com o maior cuidado, caso contrário pode facilmente prejudicar o aspecto da obra final.

Liimatta cria na tentativa de interpretar poderes animais, tal como eventualmente procederão os fabricantes de brinquedos. Nunca tem intenções de contar apenas histórias sobre pessoas ou animais, sem tentar contar sua própria história em simultâneo.

Estas peças devem ser recebidas e experimentadas esteticamente como obras de arte que merecem diálogos, como uma obra poética que merece diálogos interrogativos sobre os significados contidos em cada peça.

Na realidade, trata-se de uma obra conceptual complexa que não deixa transparecer facilmente os sentidos que Sari Liimatta nos pretende propor experimentar. Os títulos das obras ajudam a desvelar os sentidos contidos nas peças, propondo-se como auxiliares de leitura de sentidos e de aventuras estéticas interpretativas.

Numa declaração, Liimatta declara-se uma repórter. Considera que frequentemente ignoramos as partes mais preciosas do mundo que nos rodeia, procurando que a sua obra incida sobre os problemas do meio ambiente e dos espaços partilhados. Entende que a nossa vida é apenas um sistema articulado por uma estrutura bastante paradoxal. Será algo composto por pequenas partículas que buscam equilíbrios nos modos como se vão alterando.

Liimatta entende que uma peça do mundo do design, pode  propor emoções, articuladas com contextos simbólicos e misteriosos. Nesses momentos,  cada objeto torna-se uma parte do campo de arte, tocando emocionalmente meros coloridos que possam figurar em paredes, na arquitetura, noutras estruturas ou mesmo na natureza. Ou seja, as joias contemporâneas também podem ser uma forma de estudo da forma e dos materiais.

Ana Campos nasceu no Porto, Portugal, em 1953. É joalheira e dedica-se, também, à investigação nesta área. No campo do ensino, foi professora de projeto e de teorias da arte e do design da joalharia contemporânea. Até 2013, foi diretora do ramo artes/joalharia e coordenadora da pós-graduação em design de joalharia da ESAD – Escola Superior de Artes e Design, em Matosinhos, Portugal. Tem-se dedicado a curadoria e produção de exposições de joalharia nacionais e internacionais. Licenciou-se em Design de Comunicação na FBAUP. Estudou joalharia no Ar.Co, Lisboa e na Escola Massana, Barcelona, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Realizou uma pós-graduação em Relações Interculturais, pela Universidade Aberta, Porto, que conduziu ao mestrado na área de Antropologia Visual, cuja dissertação se intitula "Cel i Mar: Ramón Puig, actor num novo cenário da joalharia". A orientação foi de José Ribeiro. Atualmente, é doutorada em filosofia na Universidad Autónoma de Barcelona. Terminou o doutoramento em 2014, com orientação de Gerard Vilar. Desenvolveu uma tese intitulada: "La joyería contemporánea como arte: un estudio filosófico".

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